Mar 10

O Capitão mor Bernardo Vieira de Melo

João Felipe da Trindade (hipotenusa@digi.com.br)

Professor da UFRN e membro do IHGRN

Uma das maiores avenidas de nossa cidade recebeu o nome de Bernardo Vieira. O homenageado nasceu na freguesia de Muribeca, atualmente Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco. Era filho do Capitão de Ordenanças Bernardo Vieira de Melo e de Dona Maria Camelo de Melo. Teve uma vida recheada de muitas lutas. Uma delas foi a participação na campanha de conquista do Quilombo de Palmares, juntamente com Domingos Jorge Velho e André Furtado de Mendonça. Dessa participação resultou sua nomeação para Capitão mor do Rio Grande do Norte, em 08 de janeiro de 1695. Aqui, fundou o Arraial de Nossa Senhora dos Prazeres, em Açu, no ano de 1696.

Encontramos vários registros da presença de Bernardo Vieira de Melo e seus familiares, como padrinhos de batismos, aqui na Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação. Vejamos esses registros.

Já em 8 de dezembro de 1695, mesmo ano que chegou aqui, foi padrinho de Manoel, filho de Manoel Gonçalves Branco e de Catarina de Oliveira. Dona Catarina era tia de Antonia da Silva, esposa de Manoel Raposo da Câmara.No ano seguinte, em 30 de Janeiro, na matriz de Nossa Senhora da Apresentação, o Capitão mor Bernarda Vieira de Mello e sua mulher Catarina Leitão foram padrinhos de Ignez, filha de Domingos Carvalho e Catarina de Barros. Dona Catarina, segunda esposa de Bernardo Vieira, era filha do Capitão Gonçalo Leitão Arnoso.

No ano de 1697, no dia 26 de Abril, na Capela de Santo Antonio do Potengi, um dos filhos do Capitão Bernardo, de mesmo nome, foi padrinho junto com a mãe, Dona Catarina, de Theodosio, filho de Teodósio da Rocha e sua mulher D. Antonia de Oliveira, já defunta. Dona Antonia deve ter falecido de parto, pois,  em novembro de 1697 estava viva e era madrinha em um batismo.

Em dois de Junho de 1698, na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Apresentação, outro filho do Capitão Bernardo, André Vieira de Mello foi padrinho de João, filho de Antonio Henriques de Sá e de Joanna de Abreu, juntamente com Dona Catarina de Oliveira, esposa de Manoel Gonçalves Branco.

Em 21 de Junho de 1698, na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Apresentação, André Vieira de Mello e Antonia Tavares de Melo foram padrinhos de Antonia, filha de Jerônimo Gonçalves e de Ângela de Oliveira Mello.

Em 10 de Setembro de 1699, na Capela de Nossa Senhora do O’ da Aldeia de Mipibu, o Capitão Bernardo Vieira de Melo e o filho Alferes Tenente André Vieira de Mello foram padrinhos de um filho do Sargento Mor Bento Teixeira Ribeiro e de sua mulher Joana Camelo Valcácer.

Em 9 de Novembro de 1699, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, o Capitão Bernardo e seu filho o Alferes Tenente André Vieira de Melo foram padrinhos de José filho do Ajudante Luis Real e de Violante Bezerra Barreto.

Por fim, no mesmo ano em que terminou sua participação como Capitão Mor do Rio Grande do Norte, em 28 de Março, sua esposa, Dona Catarina Leitão foi madrinha de Caetano filho do Provedor da Fazenda Real, o Tenente Manoel de Mello Albuquerque e Dona Eugenia Rodrigues de Sá.

Um dos filhos do Capitão Mor Bernardo Vieira, que não aparece nos registros acima, era Antonio Leitão Arnoso. Casou com uma prima de nome Maria Muniz de Melo filha de Cristovão Vieira de Melo e Úrsula Leitão. Dona Úrsula era irmã de dona Catarina Leitão.

Da Guerra dos Bárbaros extraímos um trecho escrito pelo Barão de Studart, na Revista Trimensal do Instituto  do Ceará,  falando da defesa feita por Pedro Lelou pró Moraes Navarro, Mestre de Campo do terço paulista: “A de Lelou toda recheada de períodos eruditos e de reminiscências históricas, refere-se claramente a inimizade de Bernardo Vieira contra Moraes Navarro, cujo posto de Mestre de Campo ambicionava; segundo ele, e nisso concordam os partidários do Mestre de Campo, o Capitão Mor do Rio Grande do Norte induzira os Janduins a se reunir aos Payacus e irem juntos se oferecer aos Paulistas para a guerra aos Icós e que quando vissem os Paulistas em campanha despercebidos os degolassem a todos”.

Bernardo Vieira de Melo já está de volta a Pernambuco no ano de 1710 e participa ativamente da Guerra dos Mascates, escolhendo o lado dos donos de engenho de Olinda. Essa sua participação gerou, posteriormente, sua prisão e a do seu filho Andre Vieira de Melo. Foi enviado para a cadeia de Limoeiro, em Lisboa, onde veio a falecer em 10 de Janeiro de 1714. Em 14 de Abril de 1715, na mesma prisão morre seu filho André Vieira de Melo.

Outra história triste da vida do nosso Capitão Mor ocorreu em Ipojuca, Pernambuco. A suspeita de que Dona Ana de Faria Souza, esposa de André Vieira de Melo, estava tendo um caso com o proprietário do Engenho Velho, João Paes Barreto desencadeou dois assassinatos. O primeiro de João Paes Barreto, em 23 de maio de 1710, segundo uns por Andre Vieira de Melo, segundo outros por determinação do Capitão Bernardo Vieira de Melo. Quanto a Dona Ana de Faria Sousa foi poupada enquanto estava grávida. Passada a gravidez, foi obrigada a tomar veneno duas vezes. Para esse último assassinato os acusados foram dona Catarina e o próprio André. 

Mar 02

De onde surgiu João Alves Martins?

João Felipe da Trindade (hipotenusa@digi.com.br)

Professor da UFRN e membro do IHGRN

A Genealogia exige muita paciência e cautela. Nem sempre é fácil conseguir encontrar boa parte de nossos ascendentes. Registros perdidos ou mal elaborados, dificuldades em cartórios e órgãos que deveriam preservar os documentos, tudo isso concorre para alguns insucessos. A tradição oral vai, a cada geração, distorcendo as informações do passado. São necessárias muitas informações para se chegar a uma conclusão.

Em carta a Max Planck, Einstein escreveu: “Você acredita num Deus que joga dados, e eu em lei e ordem absolutas.” Acho que Einstein se precipitou. A Ordem contém o Caos e vice-versa. Entre as leis, há as das probabilidades e das incertezas. O mundo é probabilístico. Não é verdade que nada é por acaso. Antes de qualquer coisa acontecer houve escolhas. E são as escolhas que fazem do nosso mundo, um mundo de incertezas. Caso contrario, seria um tédio só. E a vida é mais interessante por conta das imprevisibilidades.

Cada um de nós tem dois pais, quatro avós, oito bisavós, 16 tetravós, e assim por diante. Se nossos ascendentes não casassem dentro da própria família, na décima geração, para cima, contando a partir dos nossos pais, teríamos 1024 ascendentes. Cada um deles contribuindo com uma parte da sua genética para que nós existíssemos hoje. Quando cada um fez a escolha do seu par, estava criando a possibilidade de nossa existência. Uma outra escolha diferente e, com certeza, um de nós não existiria hoje. Mais ainda, eles trilharam caminhos difíceis para que nós tivéssemos certo conforto. Buscar conhecer a história de nossos ancestrais é uma forma de tributo a eles. A genealogia não é um “Catálogo de Vaidades” como queriam alguns.

Escolhemos João Alves Martins como um exemplo das dificuldades que podemos encontrar na Genealogia, para reconstituir uma história. Tudo começou quando encontrei o seguinte registro na Freguesia de Touros.

Aos vinte e oito de Maio de mil oito centos e cinqüenta e quatro nesta Matriz, em minha presença, e das testemunhas João Severiano Moraes e Victoriano Rodrigues dos Santos, se receberão por palavras de presente, e mútuo consenso, João Martins Ferreira filho natural de Delfina Maria dos Prazeres, e Anna Maria de Jesus, filha legitima de Bernardino Moraes de Sena e Maria do Nascimento; depois de corridos os proclamas sem impedimento e, precedidos das mais formalidades do estilo, lhes dei as bênçãos nupciais do Ritual Romano, do que fiz este assento. O vigário Amaro José de Carvalho.

O registro acima é um daqueles onde faltam algumas informações importantes como, por exemplo, a naturalidade dos nubentes e onde moram. Esse registro me chamou a atenção, por conta de dois nomes: João Martins Ferreira e Delfina
Maria dos Prazeres.  Nas minhas pesquisas anteriores, João Martins Ferreira, Capitão, era o nome do pai de José Martins Ferreira; Delfina Maria dos Prazeres era o nome da mãe dos filhos naturais do José Martins Ferreira.  Primeiramente, em registros isolados, encontrei três filhos naturais de Delfina e José Martins Ferreira. Eram eles José, Josefa e Joaquim. Depois, em uma página só, encontrei repetido esses nomes mais o de Manoel. Esses segundos registros, na verdade, tinham a finalidade do pai reconhecer “para a todo tempo constar” que aquelas crianças eram seus filhos, o que não constava nos registros anteriores, embora citasse o nome do pai. Em nenhum desses documentos apareceu o batismo de um João.

Além de não encontrar, nos registros anteriores, o de Manoel, havia algumas divergências entre os primeiros documentos e os segundos. Enquanto nos segundos os batismos foram todos em Macau, nos primeiros as localidades eram diferentes. José, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Guamaré; Josefa, na Capela de Nossa Senhora da Conceição da Ilha de Manoel Gonçalves, e somente Joaquim na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Macau. Houve, também, divergências nas datas de batismo e nascimento de Joaquim. Para o nascimento, diferença de dois dias, para o batismo, de quatro dias. Quanto a José Martins Ferreira, no batismo de José, ele aparece como Alferes.

Outro detalhe, nessas repetições de documentos, é com relação a Delfina Maria. Nos primeiros documentos, seu nome era Delfina Maria dos Prazeres, enquanto nos segundos, em alguns registros aparece Delfina Maria da  Conceição. O detalhe mais interessante sobre Delfina está no registro de Joaquim, onde consta que José Martins Ferreira era solteiro, e ela casada.

Esse João que casou com Anna Maria de Jesus, em Touros, tinha toda chance de ser mais um filho de José Martins e Delfina Maria. Para se pesquisar sobre os Martins Ferreira, buscamos as freguesias de Macau, Angicos, Açú e Santana do Matos. Não encontrei o registro de batismo de João, e nem o reconhecimento por parte do pai. Entretanto, para confirmar nossa hipótese de ser um filho natural de José e Delfina, ele reaparece com o nome João Alves Martins, que explico mais adiante porque. Vejamos alguns registros dos filhos dele.

O primeiro registro que encontrei foi de Manoel, batizado em 6 de Janeiro de 1857, filho de João Alves Martins e Anna
Maria de Jesus, moradores nas Cacimbas, e batizado na Capela de Nossa Senhora do Rosário, tendo como padrinhos Manoel José Martins e Josefa Clara Martins, casados; depois encontrei o batismo de Francisca, em 13 de fevereiro de 1859, filha de João Alves Martins e Maria de Jesus (acredito que escapuliu o primeiro nome, Anna), tendo como padrinhos Joaquim José Martins e Prudência Teixeira Martins; por fim, apareceu o batismo de Antonio, (nascido em 14 de Março de 1860), e batizado em 17 de Agosto do mesmo ano, filho de João Alves Martins e Anna Maria de Jesus, tendo como padrinhos Manoel José Martins e Isabel Cândida Martins Ferreira, por procuração de Anna Theodora Martins Ferreira; Os padrinhos Manoel José Martins e Joaquim José Martins Ferreira são os filhos naturais, Manoel e Joaquim, de José Martins Ferreira e Delfina Maria dos Prazeres. Quando o Major José Martins Ferreira casou com Josefina Maria Ferreira, possivelmente, em 1835, colocou o nome de dois filhos desse casamento, José e João. Assim para diferençar dos naturais, eles tinham alterações nos sobrenomes; os naturais eram José Alves Martins e João Alves Martins e os ‘legítimos” José Martins Ferreira e João Martins Ferreira. Por isso, que o nubente trocou o sobrenome. 

Fev 27

Casamentos na Freguesia de Santana do Matos = 39 

263. José de Araújo da Cunha e Antonia da Trindade Nobre

Aos vinte e um de Novembro de 1833, no Sítio Picada, da Freguesia de Santa Anna do Matos, José de Araujo da Cunha desposou Antonia da Trindade Nobre. Ele filho legitimo do Tenente Alexandre da Cunha Calheiros, e de Ignês Neta Pereira. Ela filha legitima de Pedro de Barros Dantas, e de Thereza da Trindade Nobre. Foram testemunhas Manoel Varella Barca e Antonio Caetano Monteiro, casados. Houve dispensa de impedimento de terceiro grau de sanguinidade.O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva. 

264. Felippe de Guedes Moura e Urbana Antonia de Mello.

Em 25 de Maio de 1831, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Guamaré, filial desta Matriz, o Reverendo José Berardo de Carvalho ajuntou em Matrimonio Felippe Guedes de Moura e Urbana Antonia de Mello. Ele filho legitimo de Rodrigo Guedes de Moura, e Luiza Maria de Jesus. Ela filha natural de Manoel José de Melo, e de Luiza Francisca da
Conceição. Foram testemunhas Antonia Ferreira de Brito e Joaquim Álvares da Costa, casados. O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva. 

265. Ignácio José de Brito e Luiza Francisca da Penha.

Em vinte e dois de Junho de 1831, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Guamaré, filial a esta Matriz, Ignácio José de Brito desposou Luiza Francisca da Penha. Ele filho natural de Maria José da Conceição. Ela filha legitima de João Manoel Pereira e de Maria Pereira. Foram testemunhas José Vicente do Carmo, casado, e Manoel José de Melo, solteiro. O Vigario João Theotonio de Sousa e Silva.  

266. Antonio Álvares da Costa, e Manoela Francisca de Jesus.

Em quatro de Janeiro de 1833, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Guamaré, filial a este Matriz, o Reverendo José Berardo de Carvalho ajuntou em matrimonio Antonio Álvares da Costa e Manoela Francisca de Jesus. Ele filho natural de Joaquim Álvares da Costa, e de Francisca de Borja. Ela filha legitima de Manoel do Terço, e Bazilia Gonçalves. Foram testemunhas José Vicente do Carmo, e Venancio José Rodrigues, casados. Houve dispensa de segundo grau de afinidade ilícita. O vigário João Theotonio de Sousa e Silva 

267. João Ignácio Pereira Pinto e Francisca Chavier da Costa

Em dois de Maio de 1833, na Fazenda Carapebas, da Matriz de Santa Anna do Matos, o Reverendo Francisco Antonio de Sousa e Silva ajuntou em matrimonio João Ignácio Pereira Pinto e Francisca Chavier da Costa. Ele filho legitimo de João Pereira Pinto, e de Michaela Archangela Lopes (Viégas). Ela filha legitima do Capitão Vicente Ferreira Barbosa, e de Francisca Chavier da costa, já falecida. Foram testemunhas Francisco de Borja Soares Rapôso da Câmara, e Alexandre Lopes Viégas e Azevedo, casados. Houve dispensa de impedimento de terceiro grau de sanguinidade. O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva. 

268. José Vicente Ferreira e Anna Prudência de Sousa

Em oito de Janeiro de 1833, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Guamaré, filial desta Matriz, o Reverendo José Berardo de Carvalho ajuntou em matrimonio José Vicente Ferreira e Anna Prudência de Sousa. Ele natural da Freguesia de Nossa Senhora do O’, filho legitimo de Vicente Ferreira Raimundo, e de Ângela Maria de Jesus. Ela filha legitima de Felippe Gomes S. Tiago, e de Josefa Maria da Conceição. Foram testemunhas José Vicente do Carmo, e Francisco José Soares, casados. O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva. 

269. Serino Gomes e Antonia Maria.Em nove de Janeiro de 1833, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Guamaré, filial a Matriz de Santana do Matos, o Reverendo José Berardo de Carvalho ajuntou em Matrimonio Serino Gomes e Antonia Maria. Ele filho legitimo de Pedro Gomes da Silva, já falecido e de Anna Martins de Miranda. Ela filha legitima de Manoel de Sousa Pereira, e de Francisca Maria de Moraes. Foram testemunhas José Vicente do Carmo, e Francisco José Soares, casados. Houve dispensa do impedimento de segundo grau de afinidade ilícita. O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva. 

270. Antonio Lopes Viégas e Azevedo e Damasia Francisca Pereira

Em onze de Outubro de 1831, no Sitio Penedo, da Freguesia de Santa Anna do Matos, Antonio Lopes Viégas e Azevedo desposou Damasia Francisca Pereira. ele filho legitimo  de Francisco Lopes Viégas, já falecido, e de Anna Joaquina  de Azevedo. Ela filha legitima de João Pereira Pinto, e de Michaela Archangela. Foram testemunhas Francisco de Borja Soares Raposo da Câmara, e Francisco Antonio Teixeira, casados. Houve dispensa do impedimento de segundo, e terceiro grau de sanguinidade. O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva. 

271. Luiz Francisco de Sousa e Azevedo e Joanna Moreira da Costa.

Em vinte e sete de Novembro de 1832, no Sítio de Santa Cruz, Luiz Francisco de Sousa e Azevedo desposou Joanna Moreira da Costa. Ele filho legitimo de Francisco de Sales, já falecido, e de Joanna Joaquina. Ela filha legitima de João Moreira da Costa, e de Francisca Manoela. Houve dispensa do impedimento de segundo e terceiro grau de consanguinidade. Foram testemunhas Alexandre Lopes Viégas, e Azevedo, e José Honório, casados, o Vigário João Theotonio de Sousa e Silva. 

272. João Martins Pedroso da Costa e Izabel Francisca Bezerra

Em vinte e oito de Novembro de 1832, na Fazenda Carapebas, da Freguesia de Santa Anna do Matos, João Martins Pedroso da Costa desposou Izabel Francisca Bezerra. Ele filho legitimo de João Manoel da Costa, e de Anna Martins dos Santos, já falecida. Ela filha legitima de Balthasar da Rocha Silveira, e de Josefa Maria da Silva. Foram testemunhas o Alferes Antonio Francisco Bezerra, e Vicente Ferreira da Costa e Mello, casados. Vigário João Theotonio de Sousa e Silva. 

Fev 23

Casamentos na Freguesia de Santana do Matos = 38 

250. Luiz Carneiro e Maria Tecla

Em vinte e oito de Janeiro de 1833, no Sítio Serra Branca, da Freguesia de Sana Anna do Matos, Luiz Carneiro desposou Maria Tecla. Ele filho legitimo de Diogo Carneiro, e de Joana Maria, já falecida; ela filha legitima de Cosme Ribeiro de Avellar, e de Rita Maria da Silva. Foram testemunhas o Tenente João Martins de Macedo, e Thomas de Aquino e Oliveira, casados. O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva. 

251. Vicente Elias da Silva e Anna Baptista de Jesus.

Em 8 de Fevereiro de 1833, no Sítio Casaca, da Freguesia de Santa Anna do Mattos, Vicente Elias da Silva desposou Anna Baptista de Jesus. Ele filho legitimo de Vicente Elias da Cunha, já falecido, e de Vicência Maria da Conceição. Nada sobre os pais da noiva. Foram testemunhas Alexandre Pereira Campos, casado, e José da Cunha Freire, solteiro. 

252. João Teixeira Pinto e Maria Francisca.

Em vinte e seis de Maio de 1823, na Matriz de Santa Anna do Matos, João Teixeira Pinto desposou Maria Francisca, ele filho legitimo de Manoel Teixeira Pinto, e Anna Dias Moreira. Ela filha legitima de Antonio Tavares da Silva, e de Anna Quitéria, já falecida. Foram testemunhas Francisco Cabral de Oliveira Jurema, e Antonio Pinto de Mendonça, casados. 

253. Miguel Álvares Teixeira e Manoel Maria da Conceição.

Em 14 de Abril de 1833, na Matriz de Santa Anna do Matos, Miguel Álvares Teixeira desposou Manoela Maria da Conceição. Ele filho legitimo de Jerônimo Francisco de Goes e Ignacia Francisca Souto. Ela de Pombal, filha legitima de Manoel Gonçalves de Mello, e de Francisca Pereira Vianna. Forma testemunhas João Carneiro da Cunha e Antonio Fernandes da Silva.  

254. Vicente Ferreira da Cruz e Anna Caetana da Fonseca.

Em 5 de Junho de 1833, na Fazenda Pedra, da Freguesia de Santa Anna do Matos, Vicente Ferreira da Cruz desposou Anna Caetana da Fonseca. Ele filho legitimo de José Antonio de Sousa, e de Francisca Chavier da Soledade. Ela filha legitima de João Álvares de Oliveira, e de Anna Francisca da Conceição. Foram testemunhas o Capitão João Baptista da Silva Ferreira, e Manoel Tavares de Oliveira, casados. O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva.. 

255. Manoel Teixeira Pinto Junior e Maria José da Conceição

Em sete de Junho de 1833, na Matriz de Santa Anna do Matos, Manoel Teixeira Pinto Junior desposou Maria José da Conceição. Ele filho legitimo de Manoel Teixeira Pinto e de Ana Dias Moreira. Ela filha legitima de Antonio de Campos e de Maria do Carmo, já falecidos. Foram testemunhas o Ajudante Francisco Dantas Cavalcante Junior, solteiro, e Thomaz de Aquino e Oliveira, casado. Houve dispensa do impedimento de  sanguinidade. O vigário João Theotonio de Sousa e Silva 

256. Manoel Teixeira Pinto e Maria dos Santos

Em dezoito de Maio de 1833, na Matriz de Santa Anna do Matos, Manoel Teixeira Pinto desposou Maria dos Santos. Ele natural da Freguesia de Nossa Senhora do Desterro, filho legitimo de Francisco Cabral de Oliveira, e de Anna Cardosa do Desterro. Ela filha legítima de Manoel Antonio de Menezes, e de Joana Maria do Desterro. Foram testemunhas João Martins de Macedo, e o Alferes Mathias de Macedo Cabral, casados. Houve dispensa do impedimento de  sanguinidade. O Vigário João Theotonio de Sousa.. 

257. Francisco Barbosa de Sousa e Maria Joaquina da Silva.

Em quatro de Junho de 1833, na Matriz de Santa Anna do Matos, Francisco Barbosa de Sousa desposou Maria Joaquina da Silva. Ele filho legitimo de Manoel Barbosa Bezerra, e de Francisca Cabral de Santa Anna. Ela filha legitima de José Tavares da Silva, e de Francisca Chavier da Silva. Foram testemunhas o Capitão João Baptista da Silva Ferreira, e Antonio Fernandes da Silva, casados. Houve dispensa de impedimento de sanguinidade. O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva. 

258. Luiz José Ferreira e Geralda Maria da Conceição.

Em 15 de Julho de 1833, na Matriz de Santa Anna do Mattos, Luiz José Ferreira desposou Geralda
Maria da Conceição. Ele da Freguesia de Mamanguape, filho legitimo de Francisco Ferreira, e de Theresa Maria da Conceição, já falecidos. Ela filha legitima de Salvador Maria da Trindade, e de
Maria da Conceição. Foram testemunhas o Capitão João Baptista da Silva Ferreira, e Domingos Tavares da Silva, casados. O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva. João Baptista Ferreira, Domingos Tavares da Silva. 

259. José Barboza e Raimunda Bertholeza.

Em 8 de Setembro de 1833, na Matriz de Santa Anna do Mattos, José Barboza desposou Raimunda Bertholeza. Ele filho legitimo de Manoel Barboza, e de Francisca Cabral de Santa Anna. Ela filha legitima de Pedro Rodrigues da Silveira, e de Maria Francisca do Rosário. Foram testemunhas Antonio da Silva Carvalho, e Manoel Eugenio Pequeno. O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva, Antonio da Silva de Carvalho, Manoel Eugenio Pequeno. Assinaturas. 

260. Antonio de Farias Leite e Maria Francisca da Conceição

Em cinco de Agosto de 1833, no Sítio Madeiro, da Freguesia de Santa Anna do Matos, Antonio de Farias Leite desposou Maria Francisca da Conceição. Ele filho de Christovão de Farias Leite, e de Damianna Maria. Ela filha legitima de Francisco da Rocha, e de Marianna da Assumpção. Foram testemunhas Miguel de Araújo, casado, e Francisco da Rocha, viúvo. Houve dispensa  do impedimento de primeiro grau de afinidade ilícita. O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva. Miguel de Araújo, Francisco da Rocha. Assinaturas. 

261. Ismael Pereira e Maria Gomes da Silva

Em dezesseis de Agosto de 1833, no Sitio Barreiras,  da Freguesia de Santa Anna do Mattos, Ismael Pereira desposou Maria Gomes da Silva. Ele filho de João Manoel Pereira, e de Maria Pereira da
Conceição. Ela filha natural de Maria Quitéria da Conceição, já falecida. Foram testemunhas José Francisco dos Santos e José Antonio Pereira, casados. O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva. José Francisco dos Santos e José Antonio Pereira. Assinaturas. 

262. Francisco Gomes dos Santos e Maria Joaquina de Santa Anna.

Em doze de Março de 1831, na Fazenda Adequê, da Freguesia de Santa Anna do Matos, Francisco Gomes dos Santos, e Maria Joaquina de Santa Anna, ambos do Seridó. Ele filho legitimo  de Manoel Gomes dos Santos, já falecido, e de Francisca Vieira. Ela filha legitima de Roque Pereira Campos, e de Theodora Maria, falecida. Foram testemunhas João Álvares de Araújo, e João Gomes de Araújo. Casados. O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva. João Álvares de Araújo e João Gomes de Araujo assinaram.

Fev 23

Um Bom Padrinho

João Felipe da Trindade (hipotenusa@digi.com.br)

Professor da UFRN e membro do IHGRN

Qualquer que seja o lugar, qualquer que seja o tempo, ali estará o tráfico de influencia.  Lembramos que “o bom ladrão” conseguiu um bom lugar no céu quando estava na cruz. Jerônimo de Albuquerque concedeu Sesmarias para dois filhos que deu o que falar. O tráfico de influencia começa, muitas vezes, com a proteção que os pais querem dar aos seus filhos, a partir da escolha dos padrinhos. Padrinho e madrinha são personagens vivas de nossas infâncias. Sempre há briga entre irmãos quando a questão é relativa aos padrinhos de cada um. Nada melhor do que um bom padrinho e nada mais frustrante do que um padrinho mal escolhido. Nos batizados que encontrei, havia a presença constante de avós, tios e irmãos entre os padrinhos. Os avós nem sempre era o casal, mas um avô de cada lado. Os tios da mesma forma. Mas havia, também, escolhas para padrinhos de pessoas com algum destaque, naquela época. Padrinho lembra o dicionário, é a mesma coisa que protetor. Vejamos alguns exemplos.

Vicente Maria da Costa Avelino e Ana Bezerra da Natividade escolheram para padrinhos do seu filho, Jornalista Pedro Avelino, o futuro Barão do Açu, Luiz Gonzaga de Brito Guerra, e Anna Teixeira de Sousa, em 1861. Para Cecília, que faleceu pouco tempo depois, foram escolhidos o republicano e primo de Pedro Velho, João Avelino Pereira de Vasconcelos e Maria Silveira da Conceição, em 1878.

Francisco Avelino da Costa Bezerra, irmão de Vicente Maria da Costa Avelino, e Josefa da Costa Torres escolheram para padrinhos do seu filho, Cícero Torres Avelino, o Bacharel Jose Moreira Brandão Castello Branco, e Justina Deodata Moreira Brandão, em 1884. Moreira Brandão foi Secretário de Governo e deputado. Cícero era meu avô materno.

João Felippe da Trindade e Francisca Ritta Xavier da Costa escolheram para padrinhos de André Avelino Trindade, meu tio avô, o futuro Barão de Ceará Mirim, Manoel Varela do Nascimento e sua mulher Bernarda Varela Dantas, em 1854. Os padrinhos eram os donos da Fazenda Santa Luzia, onde viviam os Trindades.

O Major José Martins Ferreira, do seu relacionamento com Delfina Maria dos Prazeres, escolheu para padrinhos de quatros filhos, como segue: Manoel José Martins, que nasceu em 1830, teve como padrinhos, o Capitão Silvério Martins de Oliveira e Joana Nepomucena; José Alves Martins, que nasceu em 2 de Julho de 1831, teve com padrinhos, Pedro Álvares Ferreira e Francisca Martins Ferreira; Josefa Martins Ferreira, que nasceu em 1 de Janeiro de 1831, teve como padrinhos Manoel Antonio de Sousa e sua mulher Thomásia Martins Ferreira; Joaquim José Martins Ferreira, que nasceu em 6 de Abril de 1834, teve como padrinhos Manoel José Fernandes e sua mulher Anna Martins Ferreira. Anna e Thomásia eram irmãs do Major. Quanto a Pedro e Francisca suponho que fossem, também, irmãos do Major. Quanto a Silvério não encontrei nenhuma relação com José Martins Ferreira.

Em 1835, o Major José Martins Ferreira já estava casado com Josefina Maria Ferreira, sobrinha do Coronel de Milícias de Pernambuco Bento José da Costa. Para os quatro filhos, cujos batismos encontramos, escolheu para padrinhos pessoas ligadas a Bento. Para José, nascido em 5 de Março de 1837, os padrinhos foram o Capitão João Martins Ferreira, avô do batizado, e Anna Maria Theodora, esposa ou filha do Coronel Bento; já Francisco Martins Ferreira, meu bisavô, nascido em 7 de Outubro de 1841, teve como padrinhos o Tenente Coronel José Ramos de Oliveira e sua mulher Dona Maria da Costa, ele fundador da Companhia Beberibe de Águas do Recife, deputado e herdeiro do Engenho Ipojuca, ela filha de Coronel Bento; João Martins Ferreira, que nasceu em 22 de junho de 1840, teve como padrinhos Pedro Álvares Correia e Maria Teodora da Costa Pires, esta última conhecida como a noiva da revolução de 1817, e filha do Coronel Bento; para a última filha encontrada do Major José Martins Ferreira, Maria, os padrinhos foram Bento José da Costa Junior e sua mulher Emília Julia Pires Ferreira, ele sócio de José Ramos de Oliveira na Companhia Beberibe, deputado e filho de Bento José da Costa, e ela filha de Gervásio Pires Ferreira que presidiu Junta Governativa em Pernambuco.

Por fim, informamos que em primeiro de Setembro de 1877 nascia Vicente, filho de Renovato José da Silva e Cândida Maria dos Anjos. Os padrinhos de Vicente foram o Doutor Vicente Simões Pereira de Lemos, e sua mulher Dona Maria Alexandrina Bulcão de Lemos. 

Fev 09

O Capitão Silvério Martins de Oliveira

João Felipe da Trindade (hipotenusa@digi.com.br)

Professor da UFRN e membro do IHGRN

O Capitão Silvério Martins de Oliveira não está relacionado entre as pessoas que saíram da Ilha de Manoel Gonçalves para povoar Macau. Entretanto, era uma presença constante nos atos religiosos daquela Ilha, ora como padrinho, ora como testemunha, algumas vezes na companhia do Capitão João Martins Ferreira. Veremos aqui alguns registros para comprovar sua presença naquela região do Assu.

“Aos cinco dias do mês de Maio de mil oitocentos e vinte e nove, na Capela de Nossa Senhora da Conceição da Ilha de Manoel Gonçalves, em presença do Padre José Berardo e das testemunhas abaixo nomeadas, de minha licença, se receberão por Esposos presentes Manoel de Sousa Monteiro e Anna Francisca Leça meus fregueses. O Esposo, de idade de vinte e um anos, filho natural de Leonor de Tal: A esposa, de idade de vinte e seis anos, filha natural de Anna Francisca da
Conceição naturais e moradores na Freguesia do Assu onde se fizeram as Denunciações Nupciais, sem impedimento, e logo lhe deu as bênçãos matrimoniais sendo primeiramente confessados e examinados na Doutrina Cristã, presentes por testemunhas, o Capitão João Martins Ferreira e o Capitão Silvério Martins de Oliveira, casados, todos deste Assu, e para constar fiz este assento, em que me assino. Joaquim José de Santa Anna, Pároco do Assu”.

Entre os apadrinhados de Silvério e Joana está um neto do Capitão João Martins Ferreira ( administrador da terras de Bento José da Costa) e de sua mulher Dona Josefa Clara Lessa. Vejamos o registro.

“Manoel, branco, filho natural de José Martins Ferreira e Delfina Maria dos Prazeres, moradores nesta Freguesa, nasceu a dezenove de Abril de mil oitocentos e trinta, e foi batizado solenemente, com os Santos Óleos, aos vinte um de Maio do mesmo ano, em Macau, pelo Reverendo José Berardo de Carvalho, de minha licença; o qual disse, em minha presença, reconhecer o dito párvulo seu filho, e me pediu fizesse essa declaração para todo tempo constar; foram padrinhos o Capitão Silvério Martins de Oliveira e sua mulher Joana Nepomucena; do que para constar mandei fazer este assento, e por verdade assinei. O Vigário João Theotonio de Sousa e Silva.”

Esse neto do Capitão João Martins Ferreira encontramos, posteriormente, em Cacimbas do Viana, com o nome de Manoel José Martins. Casou com Prudência Teixeira Martins.

Diz F.F Araújo, no artigo Fragmentos Históricos, publicado no livro 1º Centenário da Ordenação Sacerdotal do Monsenhor Joaquim Honório da Silveira, quando tratou da Mesa de Rendas Estaduais de Macau: “Foi Silvério Martins de Oliveira o seu primeiro administrador que, no período de Julho de 1837 a Junho de 1838, arrecadou a importância de 3:682$978, como se verifica  de documentos existentes no arquivo do Departamento da Fazenda”.

Outra informação, já mencionado em artigo anterior diz: Na eleição de 3 de Dezembro de 1821, para Junta Constitucional do Rio Grande do Norte, o Capitão Silvério foi um dos três representantes de Apodi, no colégio eleitoral de 43 eleitores de paróquia.

Recebo de Antonio Augusto Leite de Castro algumas informações sobre o Capitão Silvério Martins de Oliveira. Escreveu Antonio Augusto que a esposa de Silvério, Joana Nepomucena, era filha do Capitão Manoel Ignácio de Carvalho e Anna Josepha Joaquina de Albuquerque, residentes na Serra de Martins. Diz ainda Antonio que no inventário de Anna Josepha (ano de 1830), em Martins, e nessa época viúva, consta informação de Silvério dando conta que a falecida sogra residia na Ilha de Manoel Gonçalves, de onde saiu em setembro de 1828. Silvério era Capitão de ordenanças da Vila de Portalegre e que, em outubro de 1826, se encontrava residindo na Ilha de Manoel Gonçalves.

Nos registros de óbitos da Catedral, encontramos os de Silvério e Joana, com uma diferença de menos de seis meses, que transcrevo para cá. Nessa época já morava em Natal como se pode ver.

“Aos vinte e dois de Agosto de mil oitocentos e quarenta e nove faleceu da vida presente com todos os Sacramentos D. Joanna Nepomuceno de Oliveira, branca, casada com o Capitão Silvério Martins de Oliveira, foi sepultada na Capela da Ribeira, envolta em habito branco, e para constar fiz este assento. Bartholomeu da Rocha Fagundes. Vigário Colado”.

“Aos nove de março de mil oitocentos e cinqüenta faleceu da vida presente com todos os sacramentos Silvério Martins d’Oliveira, branco, viúvo, morador na Ribeira, com a idade de Setenta e cinco anos: foi sepultado na Capela do Senhor Bom Jesus das Dores com habito preto encomendado por mim. E para constar fiz este assento. Bartholomeu da Rocha Fagundes. Vigário Colado.”

Pela informação acima, o Capitão Silvério deve ter nascido por volta de 1775. Suspeito que a esposa de Elisiário Antonio Cordeiro, Antonia Silvéria de Oliveira, era filha de Silvério e Joana. Acredito, também, que o casal tinha uma outra filha de nome Joana Nepomucena de Jesus. Por fim, mais um registro da presença do Capitão Silvério na região do Assú, bem como sua convivência com o Capitão João Martins Ferreira.

Aos 3 dias do mês de Fevereiro de mil oitocentos e seis pelas duas horas da tarde na Boca do Rio, em presença do Padre Frei José de Sam Gualberto Carmilitano e das testemunhas abaixo nomeadas, de minha licença, se receberão por Esposos presentes João Baptista e Maria Gomes Leça, meus paroquianos. O Esposo de idade de vinte e seis anos, filho legitimo de João Rodrigues do Espírito Santo e Margarida Francisca de Oliveira; a Esposa de vinte e dois anos, filha legitima de Joaquim Álvares Leça, já falecido e Ana Gomes, naturais e moradores nesta Freguesia de São João Baptista do Assu, onde se fizeram as Denunciações Nupciais, sem impedimento, e logo lhes deu as bênçãos Nupciais, sendo testemunhas o Capitão João Martins Ferreira, e Silvério Martins de Oliveira, casados, todos desta Freguesia do Assu, e para constar fiz este assento, em que me assino. Joaquim José de Santa Ana, Pároco do Assu.

Fev 02

A velha São Gonçalo do Potengi

João Felipe da Trindade (hipotenusa@digi.com.br)

Professor da UFRN e membro do IHGRN

Vi, na semana que passou, notícias que São Gonçalo do Amarante está completando, agora em 2010, 300 anos. Entro nos sites sobre São Gonçalo e encontro informações sobre sua história, onde se dá 1710 como o ano que é ponto de partida para essa contagem. Noticiam os sites, que foi nesse ano que chegaram a São Gonçalo, vindo de Pernambuco, Ambrósio Miguel Serinhaém e Paschoal Gomes de Lima, senhores que deram início ao repovoamento e desenvolvimento daquela localidade. No livro “Nomes da Terra”, de Câmara Cascudo, não há nenhuma referência a essas informações.

Manuel Nazareno Nogueira de Araújo, no livro História de São Gonçalo, diz mais: “os dois senhores eram casados, tinham filhos e bens. Cuidaram logo de construir duas casas assobradadas, para servir-lhes de residência, e à frente ergueram uma capelinha, cujo orago era o taumaturgo S. Gonçalo do Amarante”. Mais adiante diz que no dia 2 de Fevereiro de 1719, o Padre Simão Rodrigues de Sá celebrou a primeira missa na capelinha e depois faz o casamento de uma filha de Ambrósio Miguel de Serinhaém com um filho de Paschoal Gomes de Lima.

Nos registros que encontrei, até agora, não achei referência a ninguém com o nome de Ambrósio Miguel de Serinhaém. Já com relação a Paschoal Gomes de Lima encontramos muitos registros, inclusive antes dessa data de 1710. Um deles, para exemplificar, é o que se segue:

“Em 29 de Dezembro de 1698, na Capella de Sam Gonçalo de Potegi, com licença minha, o Padre Francisco Bezerra de Góis baptizou Antonia, filha do Capitão Pascoal Gomes e de sua mulher D. Elena Berenger: forão Padrinhos Pedro Berenger, e Dona Maria Serqueira”. A esposa de Pascoal Gomes de Lima, em alguns registros, aparece como Helena Barbosa de Albuquerque. A madrinha que aparece nesse registro acima tem o mesmo nome da mãe de Pascoal.

Outro exemplo, que trago para cá, é um registro mais antigo da Capela de São Gonçalo. Em 29 de Setembro de 1688, houve o batismo de Leocádia, filha do Capitão Manoel de Abreu Friellas e de sua mulher Isabel Dornellas. Esse Manoel de Abreu Friellas parece ser um dos filhos de Manoel de Abreu Soares e, portanto, irmão de Pascoal. Assim, a presença dessa família é muito anterior ao ano de 1710.

Outro detalhe importante, é que o genro de Pascoal Gomes de Lima mais presente, nos registros que encontrei, foi o português de Vianna, Hipólito de Sá Bezerra. Dois filhos dele se chamavam Manoel de Abreu Soares e Pascoal Gomes de Lima. Uma filha de Hipólito de Sá Bezerra e Joana Bezerra de Albuquerque, de nome Elena Barbosa de Albuquerque, era casada com José de Araújo Pereira, filho do português, também de Vianna, Tomaz de Araújo Pereira.

Aquela região, na verdade, se chamava Potengi, na grafia de hoje.  As capelas das áreas circunvizinhas, geralmente, tinham os nomes religiosos acoplados as localidades: Nossa Senhora do Socorro de Utinga, Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, Santo Antonio do Potengi, São Gonçalo do Potengi, São Miguel da Aldeia de Guajiru e por aí. Vejamos uma prova disso, através de um desses registros de 1697.

“Em 14 de 9bro de 1697 na Capella de Putegi do Bemaventurado Sancto Antonio, com licença minha, baptizou o Padre Francisco Bezerra de Góis a Manuel, filho de Manoel de Sousa e de sua mulher Maria Pereira. Forão Padrinhos o Capitão João da Costa Almeida e sua mulher Domingas da Fonseca. Vigário Simão Rodrigues de Sá”.

Lembramos aqui informação, contida em um artigo anterior, sobre Paschoal Gomes de Lima:

“A cidade de Aracati está encravada na data que tirou, em 23 de janeiro de 1685, o Capitão-mor Manoel Soares, e seus 14 companheiros, na parte que pertenceu ao mesmo Capitão-mor, demarcada pelo Desembargador Cristovão Soares Reymaão em Outubro de 1707 que foi vendido por sua viúva D. Maria de Siqueira e seu filho Paschoal de Lima em 6 de dezembro de 1701 ao Conmissionario Geral Teodosio de Grasciman. Pelo que vimos até agora, as informações que são dadas sobre a História de São Gonçalo são contraditórias e deveriam ser revistas. As cidades surgem como pequenos sítios, fazendas, distritos e vão crescendo. Assim, suas idades deveriam começar a partir daí. E no caso de São Gonçalo, até como uma homenagem, aos bravos moradores que viveram nessa região, antes mesmo dos holandeses chegarem ao Rio Grande do Norte, são 365 anos, contando a partir do massacre de Uruaçu.  Além disso, para diferençar de outras cidades existentes no Brasil com esse mesmo nome, esse município deveria se chamar São Gonçalo do Potengi.

Jan 26

Artigo publicado no “O Jornal de Hoje” desta terça-feira, dia 26 de Janeiro de 2010. 

Um certo Capitão  Pedro Álvares Ferreira

João Felipe da Trindade (hipotenusa@digi.com.br)

Professor da UFRN e membro do IHGRN

No livro de Leyla Perrone – Moisés, intitulado “Vinte Luas”, que conta a viagem de Paulmier de Gonneville ao Brasil, de 1503 a 1505, ela escreveu:

 “O relato histórico, tanto quanto o ficcional, é sem limites de extensão. As ramificações, os pormenores e as especulações são infinitos. Os limites do discurso histórico são os documentos. Mas na interpretação e na interligação dos documentos, é a imaginação que constrói a verdade possível, sobretudo quando os documentos são poucos e lacunares.”

Muitos livros da Igreja que registraram os batismos, óbitos e casamentos, já não existem mais. Entre os que ainda encontramos, vários estão deteriorados. Em muitos, os registros de casamentos são incompletos, não citando os nomes dos pais dos nubentes. Assim, a tarefa de reconstituição de uma genealogia torna-se difícil. São necessários vários documentos para se imaginar uma hipótese. Quando se conta a História de Macau ou da Ilha de Manoel Gonçalves não há nenhuma referência ao Capitão Pedro Álvares Ferreira, mas ele aparece nesses lugares, e colado com a família do Capitão João Martins Ferreira. A primeira vez que vi o seu nome, foi no batismo de José, filho do Major José Martins Ferreira e Delfina
Maria dos Prazeres. Ele e Francisca Martins Ferreira foram os padrinhos, em dezesseis de Agosto de 1831, em Macau, do dito José, nascido em dois de Julho do dito ano. Fiquei intrigado com esse nome e passei a prestar atenção a todo registro onde o nome dele aparecia. Queria saber quem ele era e sua relação com a família do Capitão João Martins Ferreira. Encontramos vários registros.

Já em 1824, ele está na Ilha de Manoel Gonçalves. Nessa data ele e José Martins Ferreira eram solteiros. Foram testemunhas do casamento de Manoel Barbosa de Andrade e Maria Francisca da Conceição. O noivo, com 36 anos, e filho de Gonçalo Barbosa de Moura e Catharina Maria de Jesus. A noiva, com 20 anos, sem informações sobre os pais.

No ano seguinte, na mesma Ilha de Manoel Gonçalves, ele aparece como testemunha, juntamente, com o Capitão João Martins Ferreira, pai de José Martins Ferreira, no casamento de José Álvares Barbosa e Dionízia Ribeiro. O noivo, com vinte e três anos de idade, era filho de Miguel Teotônio de Seixas e Tereza Maria de Jesus. A noiva, com dezoito anos de idade, era filha de Joaquim José Ribeiro e Maria Anna Barbosa da Rocha.Em 1831, na mesma Ilha, e ainda solteiro, foi padrinho junto com a mulher do Capitão João Martins Ferreira, Dona Josefa Clara Lessa, de Maria, filha de Tomás Pinto Martins e Josefa Florinda Pessoa.

No batismo de Maria, filha do Major José Martins Ferreira e Josefina Maria Ferreira, em dois de Junho de 1845, no Comissário de Cacimbas do Vianna, o Capitão Pedro Álvares Ferreira e Dona Josefa Christiniana Ferreira foram padrinhos por procuração passada por Bento José da Costa Junior e Dona Emília Júlia Pires Ferreira. Nesse ano o velho Bento José da Costa, dono das terras administradas por João Martins Ferreira, era falecido. Emília Júlia era filha de Gervásio Pires Ferreira que juntamente com o Coronel de Milícias Bento José da Costa fizeram parte de uma junta governativa de Pernambuco. O avô de Bento Junior era primo legitimo de Gervásio Pires.

Quando houve o batismo de um filho do Capitão Pedro Álvares Ferreira, o Major José Martins Ferreira é quem foi procurador como podemos ver no registro a seguir.

“João, filho legitimo de Pedro Álvares Ferreira e Maria Emília das Dores Ferreira, nasceo a vinte e quatro de Junho de mil oito centos e quarenta e quatro: foi baptizado solenemente de licença minha, na Fazenda Cacimbas, pelo Reverendo David Martins Freire Delgado a vinte e sinco de Dezembro do mesmo anno e forão Padrinhos Nossa Senhora da Conceição, e Domingos da Costa de Oliveira, por procuração ao Major José Martins Ferreira, casado; e para constar mandei fazer este termo em que assignei. Manoel Januário Bezerra Cavalcante, Parocho Collado do Assú.”

Em um trecho constante do Livro “Questão de Limites”, de Vicente Lemos e Tavares de Lira, encontramos o seguinte documento:

“José Paulino Cabral, secretário da Intendência Municipal da Cidade do Açú, por titulo e nomeação legaes, etc.Certifico em virtude de petição supra que revendo e dando busca nos livros de viriação em meu poder e archivo em um delles as folhas 202 v. e na viriação de trinta e um de Janeiro de mil oitocentos e vinte e nove encontrei, alem de muitas outras nomeações e administradores de novo imposto de carne verde e subsidio literário para diversos lugares, a de Pedro Alves Ferreira para Mossoró. É o que me cumpre certificar em virtude da petição e a vista do próprio original, ao qual me reporto; dou fé. Secretaria da Intendência Municipal da Cidade do Açú, em 28 de Agosto de 1901. O Secretário, José Paulino Cabral (Estava sellada).”

Acredito que seja o mesmo Pedro Álvares Ferreira que estudamos aqui, pois, próximo a essa época, o Capitão João Martins Ferreira arrematou o dízimo de sal de Mossoró.

Embora não tenha nenhuma comprovação, mas a partir dos documentos encontrados, acredito que Pedro Álvares Ferreira fosse um dos filhos do Capitão João Martins Ferreira. Aliás, alguns filhos do Major José Martins Ferreira tinham o sobrenome Alves. Um deles é justamente José Alves Martins cujo batizado noticiamos no inicio deste artigo. É dele que se origina a família Alves de Angicos.Visitem o blog http://trindade.blog.digi.com.br

Jan 20

           
Um leitor me escreve com algumas informações sobre alguns ascendentes. Tem 75 anos, mas continua em busca de suas origens. Se algum pesquisador souber alguma coisa a partir das informações de Reginaldo, favor mandar para cá. Vejamos o que Reginaldo escreveu:     

“Bom dia Professor,       

 Leio sempre suas pesquisas sobre a orígem de pessoas, lugares, etc.
                
                 Meu nome é Reginaldo Lima, nascido acidentalmente em Macaíba, tenho 75 anos,  meu pai era sapateiro e ficava sempre em mudança procurando uma cidade aonde ganhar o sustento da família. O nome de meu pai, Vicente Paulino de Lima, nascido em 1890, no dia 2 de Julho e minha mãe Percília de Lima, Nascida em 1898, no dia 12 de maio. Eu nunca soube  onde eles nasceram, o nome dos meus avós, etc. Essa semana, acidentalmente, encontrei uma Certidão de Nascimento. Aí fiquei sabendo o nome dos meus avós. Paternos, Paulino Rodrigues de Lima e Maria Rodrigues de Lima.
Maternos, Manoel Pereira Rocha e Maria Pereira Rocha.  Minha mãe só usava o sobrenome de meu pai, e eu nunca soube porque ela não tinha outro sobrenome. Outra coisa. Parece que a orígem deles é na Paraíba. Quando jóvem eu soube que meu pai e minha mãe tinham parentes, irmãos, em Campina Grande. Bem, eu estou contando essa estória como se eu quisesse, ou achasse que o prof. teria resposta prá isso. O senhor faz pesquisa no nosso Estado.
                 Obrigado pela atenção.
        
                 Atenciosamente, Reginaldo Lima.    ”

Jan 19

MEMÓRIA PERDIDA

Tomei conhecimento que nos Arquivos da Catedral de Natal-RN não existem mais, livros paroquiais anteriores a 1778, os quais teriam sidos criminosamente destruidos. Se verdadeiro tal fato, embora ainda nutra ilusões de ser desmentido pelo professor João Felipe Trindade, cabe uma advertência aos poderes públicos responsáveis pela manutenção e preservação dos arquivos brasileiros.

Mesmo como genealogista novel,já comprovei  que é muito mais fácil identificar e conhecer os ascendentes pessoais em Portugal, dos que as raizes e troncos brasileiros.Lá os Arquivos Distritais,mantidos pelo governo, são zelosaamente cuidados e tecnicamente organizados. Aqui, embora o acervo e memória já perdidas sejam de dificil ou mesmo impossivel recuperação, ficam as expectativas do povo brasileiro, de que as digitalizações dos acervos históricos inibam suas destruições e/ou comprometimentos.

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