Abr 08

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João Felipe da  Trindade

Set 05

Concubinatos

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)

Professor de Matemática da UFRN e membro do INRG

No livro de Francisco Marinho, O Rio Grande do Norte sob o olhar dos Bispos de Olinda, conta Frei João da Purificação Marques Perdigão, o que aconteceu dia 11 de maio de 1834: neste dia falei com 2 concubinados públicos, a cada um dos quais fiz ver quais eram os seus deveres, e apesar das mais sérias reflexões, não pude resolvê-los  a casarem, posto que os convencesse da futilidade de sua razões, tendo eles a tal respeito um claro conhecimento. Admirei a sua dureza, e apenas pude conseguir dar-me resposta no dia seguinte, para meditarem acerca de tão importantes razões por mim expostas. No dia seguinte dos dois só um apareceu disposto a casar.

Segundo Aluízio Alves, em Angicos, o coronel Jerônimo Cabral Pereira de Macedo, foi, em meados do século XIX, figura de destaque e prestígio político no município de Macau. Era proprietário da Fazenda Morro, porto de embarque que ficava a sessenta e cinco quilômetros do Assú, depois conhecido por Pedrinhas. Presidiu a primeira Câmara de Angicos, que funcionou de 27 de fevereiro de 1834 a 12 de janeiro de 1835. Foi eleito deputado à Assembléia Provincial, em 1846. Propôs, então, a mudança da sede do município para a povoação de Macau. Em 2 de outubro de 1847, foi aprovada a lei de nº 158, que elevou à categoria de Vila a povoação de Macau, subordinando Angicos, como povoação, à sua direção administrativa.Houve revolta e resistência do povo de Angicos.

Jerônimo Cabral Pereira de Macedo, conhecido por Jerônimo do Morro, era filho do capitão-mor Pedro Pereira da Costa e D. Josefa Maria da Conceição. Esta última filha do Coronel Jerônimo Cabral de Macedo e D. Maria do O’ de Faria.

Por seu prestígio, sempre aparecia nos registros da Igreja como padrinho ou testemunha. O que me intrigava é que em vários desses registros estava acompanhado de Dona Anna Fragosa de Medeiros. Embora nos registros não houvesse menção à relação que existia entre os dois, pensei, a principio, que era uma filha sua. Procurei outros documentos. Já em 1827, na Fazenda Morro, há um casamento de escravos de Anna Fragosa, onde um dos padrinhos é Jerônimo Cabral Pereira de Macedo. Pelo registro de casamento de Carlos Cabral de Macedo, em 1824, observa-se que Jerônimo já era casado, nessa data.

No registro de batismo de Estevão, filho de Miguel Ribeiro (da Trindade Dantas) e de sua mulher Maria José Dantas, em1846, na Fazenda Morro, celebrado por Padre Felis Alves de Sousa, aparecem como padrinhos Jerônimo Cabral Pereira de Macedo e Anna Fragosa de Medeiros, seguida da palavra Conc., assim mesmo, abreviada. Pensei que pudesse ter outro significado, mas no registro a seguir, ficou mais claro.

Joanna, filha legítima de Ignácio Ferreira de Macedo e Maria Leocádia Pereira, nasceu aos treze de janeiro de mil oitocentos e quarenta e cinco, e foi batizada pelo Reverendo Antonio Freire de Carvalho, com os Santos Óleos, na matriz de Santa Luzia de Mossoró, aos trinta de outubro do mesmo ano, e foram padrinhos Jerônimo Cabral Pereira de Macedo, e Anna Fragosa de Medeiros/concubinados/ por procuração que apresentaram Manoel da Silva Pereira e sua mulher Maria Joaquina do Sacramento; e para constar mandei fazer este assento em que assino. Manoel Januário Bezerra Cavalcante, pároco Colado do Assu.

É interessante observar que até o momento não encontrei o nome da esposa de Comandante Superior Jerônimo, nem filhos. Talvez a esposa dele tivesse algum tipo de problema. Jerônimo faleceu com 80 anos em 1860. No seu óbito não aparece seu estado civil. Anna Fragosa de Medeiros faleceu em 1873, com 77 anos de idade. A seguir alguns outros concubinatos encontrados, com suas especificidades.

Às oito horas da noite do dia vinte e dois de agosto de mil oitocentos e cinqüenta e cinco, no Sítio Camoropim, o Padre Coadjutor Elias Barbalho Bezerra, em desobriga, uniu em matrimônio, de minha licença, e deu as bênçãos nupciais aos contraentes José Lopes da Costa, de idade de setenta anos, e Maria Francisca da Conceição, de sessenta e cinco, concubinários antigos; e servatis ex more servandis; e o presenciaram as testemunhas Manoel Gregório Antunes, casado e Luiz da Circuncisão Ferreira, solteiro.

Às dez horas e meia da manhã do dia quinze de fevereiro de mil oitocentos e sessenta, no Sítio Linda-Flor, desta freguesia, por se acharem dispensados de consaguinidade, uni em matrimônio, e dei as bênçãos nupciais, aos contraentes, meus paroquianos, João Domingos Cardoso, e sua concubina Delfina Maria da Conceição, dispensados os proclamas em razão da idade madura, e do concubinato, e observados as mais formalidades de estilo, a que presenciaram Albano Francisco de Sousa e Luisa Nunes da Fonseca, casado.

Aos vinte e dois de abril de mil oitocentos e setenta, no Tubarão, em desobriga, assisti recebimento em matrimônio, os meus paroquianos Januário Pereira de Lima, viúvo, por falecimento de sua mulher Antonia Maria da Conceição, e Joanna Maria da Conceição, com quarenta e quatro anos de idade, os quais achando-se há anos concubinados, por admoestação minha, dispuseram-se  a casar, portanto dispensados foram de habilitação de papéis, sendo confessados e examinados em Doutrina Cristã, e lhes dei as bênçãos nupciais, servatis servandis de jure; foram testemunhas Francisco Antonio Baracho, e Guilherme Antonio de Araújo.

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Ago 30

Descendentes do coronel David Dantas de Faria

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)

Professor de Matemática da UFRN e membro do INRG

Na relação dos herdeiros da Fazenda Panom, pelo que se observa da escritura de venda da mesma, em 1774, não aparecem filhos, nem esposa do Coronel David Dantas de Faria. Não há nenhuma observação sobre seu estado civil. Por isso, fui atrás de documentos da época, para ver se encontrava mais informações sobre o Coronel.

Em 7 de fevereiro de 1752, no casamento do português de Vianna, Bento José Taveira Vianna, com Dona Lourença de Araújo Correa, viúva de Luis Soares Correa, uma das testemunha é o tenente-coronel David Dantas de Faria, ainda solteiro. Mas, o Coronel teve filhos. Em primeiro lugar vamos apresentar o casamento de uma filha dele, em um registro onde aparecem poucas informações. Uma lástima, repetindo Dom Adelino. Somente o registro de batismo, que se segue, esclarece melhor os fatos.

Aos vinte e seis de outubro de mil setecentos e setenta e nove, de licença minha, na capela de Nossa Senhora da Conceição de Jundiaí, corridos os banhos, sem impedimento, até a hora do recebimento, a horas da manhã, em presença do Padre Coadjutor de Papari, Ignácio (ilegível) Coelho, e das testemunhas com ele assinadas, Francisco Xavier de Sousa, não diz se é casado ou solteiro, e de Salvador Maria da Trindade, meus fregueses, receberam com as bênçãos, conforme o Sagrado Concílio Tridentino e Ritual Romano, com palavras de presente, corridos os banhos de suas naturalidades, e domiciliar, Vicente Ferreira de Lira, não diz filho de quem, e Anna Maria Dantas de Faria, minha freguesa, e não se continha mais no dito assento, e por verdade, ausente o Reverendo Vigário, me assinei. Padre Joaquim José Pereira, Pró Vigário do Rio Grande.

Vicente e Anna Maria, tiveram um filho em 1781. Vejamos o registro, onde há uma mudança no sobrenome de Vicente.

Miguel filho legítimo de Vicente Pereira Lira e de Anna Maria Dantas, naturais da Freguesia de Nossa Senhora do O’ da Vila de São José de Mipibú, nasceu, nesta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, aos vinte e nove de setembro de 1781, e foi batizada, aos vinte e nove de outubro de 1781, na Capela de São Gonçalo do Potegi, filial desta matriz, com os santos óleos, pelo Reverendo Coadjutor Luis Felis de Vasconcellos; neto por parte paterna de Firmiano de Abreo Lira e de Theresa de Jesus, ambos naturais da dita Freguesia de Papari, e pela materna do Coronel David Dantas de Farias, solteiro, e de Sebastiana Netta, solteira. Foram padrinhos José de Araújo, solteiro, morador na Freguesia de Estremoz e Anna Theresa de Jesus, filha do sobredito Firmiano de Abreo; de que fiz este assento para constar. Francisco de Sousa Nunes, vice-vigário do Rio Grande.

Registro de batismo de 16 de outubro de 1814, em Jundiaí, dá conta que Davi Dantas e Maria Manoela, filhas da viúva Anna Dantas, foram padrinhos de Antonio, filho de Josefa escrava de Angélica Maria. Outro, na mesma data, diz que Davi Dantas e Josefa Teresa, filhos da viúva Anna Dantas, foram padrinhos de Lourenço, filho de Francisco Ramos e Teresa Maria. Por escassez de outros registros, não é possível dizer se essa Anna Dantas é a mesma Anna Maria Dantas de Faria, filha do Coronel.

Pode haver outros filhos do Coronel. Para futuras investigações, deixo aqui outras informações que podem ajudar outros pesquisadores, pois, encontramos várias pessoas de nome David Dantas de Faria.

Comecemos com um registro de assentamento de Praça, na Ribeira do Assu. Está no documento: David Dantas de Faria, filho de Heronimo Mendes Pereira, natural e morador nesta Ribeira do Assu, pardo, solteiro, de estatura ordinária, nariz grande, cor trigueira, olhos pardos, boca pequena, de idade de dezenove anos, assenta praça em revista de vinte e sete de julho de 1789.

Encontramos mais assentamentos de filhos de Jerônimo Mendes Pereira, na Ribeira do Assu: Matheus Mendes Pereira, de 26 anos, assentou praça, também, em vinte e sete de julho de 1789; Manoel José Dantas de Faria assentou praça em oito de novembro de 1793, com a idade de 19 anos, falecido em 1807; e Francisco Alves Xavier, 25 anos, assentou praça, em 8 de novembro de 1793.

É interessante observar que os dois primeiros filhos de Jerônimo, citados acima, tinham nomes de militares que chefiaram Regimentos em tempos passados. Talvez tenha sido uma homenagem aos ditos. Entretanto, há outras coincidências que sugerem alguma ligação de Jerônimo Mendes com o Coronel David Dantas de Faria.

Em dezoito de agosto de 1839, na Fazenda Panom, foi batizada, Izabel, filha de Jerônimo Mendes Pereira e Ignácia Maria da Conceição, tendo como padrinhos Nicolau Vieira de Mello e sua mulher Maria Francisca da Fonseca; Em oito de novembro de 1833, no sítio Barra, Joanna Maria da Conceição, filha de Jerônimo e Ignácia, casava com José Marinho Dantas, filho de Antonio da Cunha Calheiros e Joanna Maria da Conceição, com presença de José Francisco de Farias e Antonio Francisco Dantas.  Em vinte oito de novembro de 1828, no Sítio Barra, David Dantas de Faria, 24 anos, filho de David Dantas de Faria e Angélica Rosa, desposou Izabel de Seixas de 29 anos, tendo como testemunhas José Francisco de Faria e Luiz de França Dantas; Esse Luiz de França era filho de David e Angélica Rosa, e em vinte de dois de janeiro de 1827 tinha desposado Izabel Maria de Jesus, na Matriz do Assu, filha de João de Maia Correa e Anna Maria, presentes José Dantas de Farias e João Baptista, casados.

A Izabel de Seixas, acima, deve ser Izabel Pereira de Lima, pois em dois de junho de 1833, no Saco dos Seixas, houve o batismo de João, filho de David Dantas de Farias Junior com ela, tendo como padrinhos José Francisco de Farias e Anna Quitéria de Sana Anna. Em doze de fevereiro de 1835, outro filho do casal de nome Alexandrino, foi batizado, tendo como padrinhos Francisco Xavier de Seixas e Felippa Maria do Espírito Santo.

Outro detalhe, é que em quatro de junho de 1843, houve o batismo, na Fazenda Panom, de Manoel, filho de José Francisco Xavier e Francisca Maria do Nascimento, onde um dos padrinhos foi o viúvo David Dantas de Faria. Devia ser o esposo de Angélica Rosa, pois, David Junior foi padrinho junto com Izabel em 1846, na Fazenda Morro.

Ago 23

Publicado no O Jornal de Hoje, de 23 de agosto de 2011

Coronel David Dantas de Faria e a Fazenda Panom

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)

Professor de Matemática da UFRN e membro do INRG

Em 15 de setembro de 1751, David Dantas de Faria recebia carta patente de tenente-coronel do Regimento de Cavalaria da Ribeira do Assu, de que era comandante o coronel Antonio da Rocha Bezerra, vaga pela mudança de Felis Barbosa Tinoco dessa dita Ribeira para a Ribeira do Apodi. Além de ser um dos homens nobres e das principais pessoas dessa Ribeira, e abastado de bens, tinha servido a Sua Majestade, na Capitania do Rio Grande, como capitão e sargento-mor de Infantaria das Ordenanças.

Em 1756, David Dantas de Faria fazia requerimento ao rei D. José, pedindo confirmação de carta patente do posto de Coronel de Cavalaria do Regimento da Ribeira do Assu, passada pelo capitão-mor Pedro de Albuquerque de Mello. Em 1759, ainda Coronel, fez carta ao rei D. José informando que o novo capitão-mor do Rio Grande, João Coitinho de Bragança, ao passar mostra ao Regimento de Cavalaria da Ribeira do Assu, estava obrigando todos os oficiais a referendarem as suas patentes, cobrando variados valores por cada uma delas. A velha propina!

Em 1823, por seu bastante procurador, o Capitão João Martins Ferreira (meu tetravô, aquele lá da Ilha de Manoel Gonçalves), o Coronel Joaquim Pereira Vianna, da Praça de Pernambuco, Engenho do Moreno, em virtude da demarcação de seu sítio e fazenda, chamada Panom, na margem do Poente do Rio dos Cavalos, com três léguas de comprimento e uma légua de largura, solicitava a presença dos confinantes para que não restassem dúvidas com relação à dita demarcação. Essas terras confinavam, ao Poente com Data do próprio Joaquim, que obteve por herança, nas Caatingas e Riacho do Umbuzeiro; ao Norte, com terras do Sítio Arraial, dos herdeiros netos da falecida D. Maria do O’ de Faria, viúva do Coronel Jerônimo Cabral de Macedo, a saber: José Correa de Araújo Furtado, e seus cunhados Pedro Soares de Macedo, Jerônimo, Izabel, e João, órfãos maiores de quatorze anos e tutelados  daquele, Gabriel Soares Raposo da Câmara e seus cunhados, Mathias Antonio, Antonio Mathias, Francisco Antonio e Jerônimo; confinava ainda com terras do Sítio Furabocas do Capitão Lourenço de Araújo Correa; e da Calheira (Caeira) de D. Brites Pás Barreto, viúva do falecido José Varella Barca, e seus filhos o Capitão Manoel Varella Barca, e outros, ou netos que tinham parte na dita terra Calheira.

Joaquim Pereira Vianna, em sua procuração, constituindo seus procuradores, o capitão João Martins Ferreira, José Antonio da Fonseca e o capitão Francisco Dantas Cavalcante, afirmou que era herdeiro, testamenteiro e inventariante dos bens do seu falecido sogro, o coronel Thimóteo Pereira Bastos. Nesse processo de demarcação da Fazenda Panom, constava cópia de uma escritura de venda da Fazenda Panom, sintetizada a seguir.

Em 31 de outubro de 1774, na Vila de Santo Antonio de Recife, Pernambuco, na casa de morada do sargento-mor Manoel Gomes dos Santos, foi passada a escritura de venda da Fazenda Panom. Como vendedores estavam Theotonio Dantas da Gama por si e como procurador de suas irmãs, D. Quitéria d’Antas e Dona Agostinha (Angela) Pereira Dantas, e de sua tia Rosa Antas de Farias, e o tenente-coronel José da Costa de Carvalho como procurador de Francisco de Brito e sua mulher Dona Genebra Bernarda d’ Antas de Farias, morador, o dito tenente-coronel, na Ribeira do Assu, e o vendedor Theotonio d’Antas da Gama, no Porto, e ora assistente na Ribeira do Assu. Como comprador o sargento-mor Manoel Gomes dos Santos, morador na dita Vila de Santo Antonio do Recife. Os vendedores eram herdeiros do defunto Coronel David Dantas de Faria (ao longo da escritura e dos registros da Igreja, às vezes aparecia como sobrenome Farias.

A Fazenda Panom, de gado vacum e cavalar, estava situada na Ribeira do Assu, Capitania do Rio Grande, comarca da Paraíba. Partia pela parte Norte com terras do capitão Antonio Coelho, da parte Sul com terras de Quitéria Dantas, da parte do Nascente com terras do capitão-mor Christovão da Rocha (Pitta). Foi vendida por doze mil cruzados.

Dona Rosa Dantas de Faria, da Freguesia de Cunha, era irmã do Coronel David Dantas de Faria. Theotonio, Angela e Quitéria eram sobrinhos do Coronel, e filhos de Antonio de Andrade Gama, moradoras, as irmãs, na Quinta do Vale Longo, Freguesia de São Paio de Agoa Longa, do Concelho de Coura, Comarca de Vianna.

Dona Genebra Bernarda d’Antas de Faria, também, era irmã do coronel David Dantas de Faria. Ela e seu marido, Francisco de Brito Barbosa, da Freguesia de Cunha, do Concelho de Coura, em vinte e dois de abril de 1772, na casa do sobredito Francisco de Brito Barbosa, na Quinta do Passo, Freguesia de Cunha, passaram procuração para o Capitão Mathias Antonio Affonço, da Freguesia da Vila Nova do Meio Termo da Vila de Barca, e na cidade do Porto ao Capitão Antonio Pinheiro Salgado, e Antonio Rodrigues da Silva Prassa, e na cidade de Lisboa a Antonio Rodrigues Vianna e no Recife de Pernambuco, Estado do Brasil a Manoel da Costa Mendes, Domingos Pires Ferreira, Tenente Vicente Gurjão, e Bento Rodrigues Xavier, e na Vila de Goiana a Gregório José da Silva Coitinho e Felis Gomes de Jesus, e na cidade da Paraíba a José Rodrigues Chaves e a João da Silva Ferreira, e na cidade do Rio Grande a Francisco Pinheiro Teixeira, e a Francisco Machado de Oliveira Barros, e na Freguesia do Assu, ao Capitão José da Costa de Carvalho e ao Capitão Mor Francisco Nogueira, todos moradores no Estado da América, para cuidarem da herança do seu irmão e cunhado David Dantas de Faria, natural da Freguesia de Cunha, Concelho de Coura, falecido na Freguesia do Assu, Capitania do Rio Grande, Bispado de Pernambuco, cuja herança se achava na dita Freguesia  do Assu e mais partes dos ditos Estados do Brasil.

Pelo que se depreende acima, das procurações, além da Fazenda Panom, havia outras em várias localidades aqui no Brasil. Em outro artigo daremos mais informações sobre o Coronel David Dantas de Faria.

Ago 22

João Miguel e os Trindades de Angicos (II)

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)

Professor de Matemática da UFRN e membro do INRG

Repito e corrijo, a maioria dos Trindades de Angicos é descendente de João Miguel da Trindade e Maria Rosa da Conceição. Além de Manoel Jacintho, Rosa Maria e João Felippe da Trindade, citados em artigo anterior, encontramos outros filhos de João Miguel e Maria Rosa.

No mesmo documento eleitoral onde encontrei o pai de João Felippe da Trindade, constava um outro João Miguel da Trindade, com a idade de 43 anos. Não poderia ser o velho João Miguel. Nesse documento, encontrei que ele era filho de Alexandre Francisco de Azevedo Costa. Um registro de óbito dava conta que Anna Francisca da Trindade, falecida em 29 de julho de 1878 com a idade de 58 anos, era viúva de Alexandre Francisco de Azevedo Costa. Essas informações me levaram a suspeita que Anna era outra filha de João Miguel. Em um batismo, datado de 1835, aparece como procuradores dos padrinhos, do batizado, João Miguel da Trindade e sua filha Anna. Com mais outros batismos e casamentos concluí que Anna Francisca da Trindade era outra filha do casal João Miguel da Trindade e Maria Rosa da Conceição. O João Miguel, neto, casou, em 2 de setembro de 1879, no Sítio Farias, com Maria Catarina das Virgens, filha de Firmino José Porcino Maria da Costa e Catarina Rizina das Virgens.

Michaella Francisca da Trindade casou em 19 de novembro de 1844, na fazenda Santa Luzia, com João Baptista Xavier da Costa. Não aparecem nesse documento os pais dos nubentes. Pedro Antas Filho, neto de Maria Baptista Xavier da Trindade, me contou que sua avó era sobrinha de João Felippe e foi criada por ele. Maria Baptista casou com Alexandre Francisco Pereira Pinto Junior (Capitão Antas), no Sítio Santa Luzia, aos 11 de outubro de 1874, ele, filho de Alexandre Francisco Pereira Pinto e Damásia Francisca dos Santos Leal, e viúvo por falecimento de sua mulher Francisca Guilhermina Xavier de Sousa; ela filha de João Baptista Xavier da Costa e Michaella Francisca da Trindade. Houve dispensa de sanguinidade e afinidade lícita. Logo, pelo que contou Pedro, Michaella era irmã de João Felippe, e, portanto, filha de João Miguel e Maria Rosa.

Há um outro Trindade que aprece nesses documentos que pode ser filho de João Miguel e Maria Rosa. Sei que estava presente o tempo todo no meio dos Trindades, já citados. Ele era José Bonifácio da Trindade, casado com  Rosa Maria da Conceição. No seu óbito, em 11 de setembro de 1875, consta que ele faleceu com a idade de 49 anos, portanto, deve ter nascido por volta de 1826. João Felippe, Anna Francisca e Michaella pelas as informações dos seus óbitos tinham nascido por volta de 1820. Esses registros, na maioria das vezes, não eram muito precisos com relação as idades dos falecidos. Portanto, acho que os três nasceram em três anos consecutivos.  Manoel Jacintho nasceu em 1833.  Como José Bonifácio nasceu em 1826, tinha chance de ser um dos filhos de João Miguel e Maria Rosa.

Foi lá no Sítio Santa Luzia, onde moravam os Trindades, que aos 30 de julho de mil oitocentos e sessenta e um nasceu Josefa, filha de José Bonifácio e Rosa Maria, batizado aos vinte e três de agosto do mesmo ano, tendo como padrinhos José Felix da Silveira Varella e Anna Francisca da Trindade. Outros filhos de José Bonifácio tiveram como padrinhos filhos de João Miguel. João Felippe foi padrinho de Manoel; Manoel Jacintho foi padrinho de Anna. Por sua vez José Bonifácio foi padrinho de Francisca filha de Michaela Francisca da Trindade. Todas essas relações entre José Bonifácio e os filhos de João Miguel e Maria Rosa reforçam a hipótese dele ser, também, um dos filhos do casal. Além disso, dois filhos de José Bonifácio e Rosa Maria casaram com dois filhos de Michaella Francisca da Trindade e João Baptista Xavier da Costa, a saber: Francisco Rosa da Trindade com Francisca Xavier da Trindade e Anna Clementina da Trindade com João Baptista Xavier da Trindade.

Esses Trindades se entrelaçaram, entre outras, com as famílias Xavier de Sousa, Xavier da Costa, Azevedo Costa, Pereira Pinto, Costa Machado, Sousa Monteiro, Xavier de Mello e Rebouças de Oliveira Câmara.

Eu descendo de João Felippe da Trindade e Francisca Ritta Xavier da Costa. Esse casal gerou os filhos, a saber: André Avelino da Trindade, que foi casado em primeiras núpcias com Maria da Penha Barbalho e Silva, e em segundas núpcias com Izabel Martins; Maria Rosa da Trindade, que  foi casada com João Baptista de Mello Pinto, aqui de Ceará-Mirim; Joaquim Francisco da Trindade, que foi casado com Ritta Emilianna de Assis Bezerra, irmã de Maria da Penha, acima; Anna da Trindade, irmã gêmea de Joaquim, que  foi casada com Manoel de Mello Pinto, irmão de João Baptista; Francisco Xavier da Trindade, que morreu solteiro; José e Manoel, que faleceram crianças; e Miguel Francisco da Trindade, que foi casado com Maria Josefina Martins Ferreira, lá de Cacimbas do Vianna.

Esse último casal gerou Luiz de França da Trindade que foi casado com Milce Carvalho; Salomão Trindade que foi casado com Anna; José Felix da Trindade, que foi casado com Margarida; Francisco Martins Trindade, que foi casado com Deoclécia Veras Bezerra; Aurea Trindade, que foi casada com Francisco de Mello Pinto, seu primo; Crinauria, que foi casado com Joaquim Firmino de Deus Gonçalves; Maria da Soledade,  que foi casada com Joaquim Teixeira de Carvalho; e Miguel Trindade Filho, que foi casado com Dalvanira Avelino da Trindade, meus pais.

Ago 11

Caríssimo João Felipe da Trindade.

     Estou pesquisando sobre a família de meu avô, já li muitas matérias do seu blog.

Gostaria de sua ajuda para encontrar as raízes da minha família. Tenho muito pouca

informação. Vou relatar o que sei e encontrei nas anotações de meu avô.

Meu avô se chamava PEDRO INÁCIO LIBERALINO DE SOUZA, filho de Antonio José de

Souza e Maria Úrsula de Souza, nascido aos 31 de janeiro de 1891, no sitio Palma da

cidade de Caicó estado do Rio Grande do Norte, sendo seus padrinhos de batismo seus 

primos Francisco Pereira da Silva e Maria Florinda da Silva.

   Quando ainda jovem vei para a cidade de Piancó na Paraíba na companhia do Padre

Aristides, sem certidão de nascimento o Padre o registrou com o sobre nome de Liberalino

deixando só o Souza que era o sobre nome de seu pai - nosso sobre nome Liberalino inicia-se

com nosso avô, já falecido no ano de 1986, na cidade de Piancó-PB

   Fiquei sabendo que ele tinha um irmão chamado João Úrsula, casado do Francisca, seus

sobrinhos, Rita, Úrsula, Verônica Úrsula, Joaquim Úrsula e outros que não sei o nome.

   Contado a partir de meu avô ate o momento, somos um total de 168 descendentes.

   Fico-te grata pela ajuda.

   Aguardo ansiosa sua resposta. 

   Obrigado.

       Maria da Conceição Liberalino de Lacerda

Ago 09

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)

Professor de Matemática da UFRN e membro do INRG

Algumas vocações se repetem em membros de uma mesma família. Encontramos, ao longo do tempo, famílias de escritores, poetas, matemáticos, músicos e, também, de políticos. É o caso da família Alves do Rio Grande do Norte, onde a vocação política está presente ao longo de muitos anos. Não é simplesmente uma questão de oligarquia como se repete. Mais do que isso, entram as composições genéticas e ambientais.

No dia 10 agosto, Manoel Alves Filho, Seu Nezinho, se fosse vivo, estaria completando 117 anos. Ele nasceu no dia 10 de agosto de 1894, tendo sido batizado no dia 25 de março do mesmo ano, tendo como padrinhos Nossa Senhora das Dores e Manoel Francisco Cordeiro. Seu aniversário é um dia antes do aniversário do seu filho mais famoso, Aluizio Alves. Este muito festejado, aquele muito esquecido.

Nos dias de hoje, os Alves vivem um período de glória, tendo passado anteriormente por momentos difíceis. Garibaldi Alves, que foi deputado estadual e vice-governador, é hoje senador da república; Garibaldi Alves Filho, que foi deputado estadual, prefeito, governador duas vezes, presidente do Senado, é hoje senador e ministro da Previdência Social; Agnelo Alves, que foi prefeito de Natal e Parnamirim e  senador, é hoje deputado estadual; Carlos Eduardo foi deputado estadual e prefeito de Natal; Valter Alves é deputado estadual; Henrique Alves, que é deputado federal há mais de dez legislaturas, é hoje líder do PMDB e forte aliado do Governo Federal. Ana Catarina Alves, irmã gêmea de Henrique, foi vereadora e deputada federal; Clemenceau Alves foi prefeito de Angicos; e Expedito Alves que foi prefeito de Angicos e foi assassinado.

Tenho uma curiosidade muito grande em saber mais sobre Manoel Alves Filho e sua esposa Maria Fernandes, ascendentes de todos esses políticos acima nomeados. Qual foi a participação deles no encaminhamento dessas vocações políticas? Nossos historiadores maiores não se aprofundaram nessa questão. Encontramos poucas informações sobre seu Nezinho, mas acredito que ele teve uma vida que merece uma boa biografia.

Manoel Alves Filho começou sua vida com um problema, pois seu irmão mais velho era Manoel Alves Martins Filho. Possivelmente, eles deveriam ser distinguidos por apelidos. O irmão mais velho, nascido em 2 de dezembro de 1891,   batizado em 7 de Dezembro do mesmo ano, era filho de Manoel Alves Martins e Joaquina Teixeira Martins (primeira esposa). Passei um tempo tentando descobrir a origem do velho Manoel Alves Martins. Francisca Martins, neta dele, após conversas com algumas irmãs mais velhas, informou que o pai dele poderia ser Manoel Alves Martins ou Joaquim Alves Martins, e que os mais antigos da família tinham vindo de Cacimbas do Vianna. Noélia Agripino, entretanto, escreveu: sou natural de Santana do Matos e meu avô, Luiz de França Martins, era filho de Delfino Alves Martins e Paulina Maria da Conceição. Coincidentemente, eles dois são irmãos dos pais de Nezinho Alves (Manoel Alves Martins e Maria Ignácia da Conceição, a segunda esposa), isso eu já sabia porque minha mãe falava muito que Nezinho e meu avô eram primos carnais).

Quando Manoel Alves Martins Filho foi batizado, em  1891,foram seus padrinhos Delfino Alves Martins e Josefina Alves Fernandes, irmãos, e que pelo que foi dito acima por Noélia, tios dele.

A trajetória dos ascendentes de seu Nezinho é povoada por homens que tiveram atuação e prestigio em suas épocas. O pai dele, Manoel Alves Martins, era filho do negociante José Alves Martins e de Francisca Martins de Oliveira. José Alves nasceu em Macau, casou em Curralinho e atuava em toda região do Assu. Pelo que observamos nos registros da Igreja foi muito solicitado para padrinho de batismos ou testemunha de casamentos em Rosário, Oficinas, Cacimbas do Viana, Assú, praia do Rosado, Sítio Comissário e adjacências. José Alves Martins foi assassinado em Rosário em 1871. O pai de José Alves Martins era o Major José Martins Ferreira, que foi presidente da Mesa de Arrecadação de Macau, e também Juiz Municipal. Está na lista dos fundadores de Macau que saíram da Ilha de Manoel Gonçalves. Assim como José Alves Martins, era muito solicitado para padrinho de batismo e testemunha de casamento em várias regiões do Assu, principalmente Cacimbas do Vianna, para onde levou toda a família. O Major José Martins Ferreira sucedeu seu pai, o Capitão João Martins Ferreira, na administração das terras do Sertão do Assu, do tenente-coronel Bento José da Costa.

A esposa de Seu Nezinho, sua prima Maria Fernandes, conhecida como Dona Liquinha, tinha uma ascendência de pessoas muito ativas nas suas comunidades. Ela era filha de Josefina Emília Alves Fernandes e Absalão Fernandes da Silva Bacilon. Josefina era filha de José Alves Martins, já citado acima. Absalão era filho de Antonio Fernandes da Silva e Sabina Maria da Silva; neto paterno de Manoel Álvares da Fonseca e Anna Maria Barbosa, e materno de Francisco da Silva de Carvalho e Maria Joanna.

As poucas informações que obtive sobre seu Nezinho foram tiradas dos livros de Zélia Alves e de Aluizio Alves, além do livro Memória Viva, com entrevista de Aluízio. Por esses livros vemos que seu Nezinho saiu de Santana do Matos, onde nasceu, e foi ser comerciante em Angicos. Em 1929 era vice-prefeito, prefeito interino na revolução de trinta e prefeito designado em 31. Foi, também, presidente da Câmara Municipal de Angicos. Foi autor do ato que mudou o nome da povoação de Carapebas para Afonso Bezerra. Com a seca de 1932 veio com a família para Ceará - Mirim. Dois dias depois de Agnelo Alves ter nascido, foi preso, tendo permanecido nessa condição por 31 dias.

Numa época em que menino não se metia em conversa de gente grande, Aluízio adquiriu um espaço entre os adultos que o fez se projetar para o futuro. Por isso, acredito que seu Nezinho teve uma participação muito grande no sucesso de Aluízio e de todos os seus outros descendentes que enveredaram pela política.

Ago 02

João Miguel e os Trindades de Angicos (I)

João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)

Professor de Matemática da UFRN e membro do INRG

João Miguel da Trindade e sua esposa Maria Rosa da Conceição nasceram por volta de 1789, pelo que se observa dos registros de óbitos. João Miguel morreu tísico e foi sepultado, no cemitério público da Vila de Angicos, com a idade de setenta e cinco anos, aos 17 de junho de 1864. Maria Rosa faleceu de moléstia interior, em 19 de janeiro de 1875, com a idade de 86 anos. A maioria dos Trindades de Angicos e adjacências é  descendente desse casal.

O registro mais antigo onde aparece João Miguel é datado de 6 de maio de 1825. Nessa data e na fazenda Santa Luzia, ele foi testemunha, junto com  Gonçalo José Barbosa, do casamento de Desidério Cardoso com Quitéria, escrava de Ignácio Pereira de Abreu. Foi nesse registro que capturei a assinatura dele e de Gonçalo. Gonçalo era irmão dos meus trisavós Miguel Francisco da Costa Machado e Vicente Ferreira Xavier da Cruz. Era nessa fazenda Santa Luzia que vivia a maioria dos Trindades, como se observa nos registros da Igreja Católica. Segundo Pedro Antas Filho, Santa Luzia era propriedade do Barão de Ceará-Mirim.

Na data de 7 de janeiro de 1857, João Miguel tomou posse do emprego de 3º Juiz de Paz, na Câmara Municipal de Angicos, eleito que foi em 7 de setembro de 1856. Nesse mesmo dia tomou posse Vicente Ferreira Xavier da Cruz no emprego de 1º Juiz de Paz. O 2º Juiz de Paz, eleito na mesma data dos anteriores, foi José Alexandre Solino da Costa. De acordo com as regras da época João Miguel seria da serventia do 3º ano daquela legislatura.

Embora os registros da época não revelassem sua origem, relatos da família dão conta que João Miguel veio da Paraíba junto com um irmão, que depois tomou outro destino. Sobre sua esposa, Maria Rosa da Conceição, não consegui identificar, também, seus ascendentes, embora suspeite que eram da região de Angicos, por conta das dispensas de consaguinidade que aparecem nos casamentos dos filhos  Manoel Jacintho e Rosa Maria.

Manoel Jacintho da Trindade, que nasceu em 3 de julho de 1833, casou, em Gaspar Lopes, em 15 de Setembro de 1866, com Josefa Francisca Xavier Bezerra, filha de José Marianno Xavier de Sousa e Maria Catharina de Sena.  Nesse casamento houve dispensa de consanguinidade, denunciando parentesco entre os nubentes. Acredito que o parentesco se dava através de Maria Rosa da Conceição, mãe de Manoel Jacintho com um dos pais de Josefa, possivelmente José Marianno, filho de Francisco Xavier de Sousa e Josefa Francisca da Costa. Esse parentesco se repete no casamento de Rosa Maria que casou dentro da família de Francisco Xavier de Sousa e Josefa Francisca da Costa.

Rosa Maria da Trindade, filha de João Miguel e Maria Rosa, casou em 13 de novembro de 1872, no sítio Santa Luzia, com Vicente Verdeixa Xavier de Sousa, viúvo por falecimento de sua esposa Elísia Maria da Conceição, e filho de Francisco Xavier de Sousa e Josefa Francisca da Costa. Houve dispensa de sanguinidade e afinidade lícita. A primeira dispensa se dava por conta do parentesco de Vicente com Rosa Maria. Manoel Jacintho casou com uma neta de Francisco Xavier de Sousa e Josefa Francisca da Costa, enquanto sua irmã Rosa casou com um filho desse último casal. A segunda dispensa, de afinidade lícita, poderia se dar por dois motivos. Em primeiro lugar, Rosa casou com o tio de sua cunhada Josefa Francisca Xavier Bezerra. Em segundo lugar, Rosa talvez fosse parente de Elísia, primeira esposa de Vicente Verdeixa.  Elísia era filha de José Alexandre Solino da Costa e Vicência Francisca de Aquilar Bezerra, ele filho de Antonio Barbosa da Costa e Claudiana Francisca Bezerra.

Sobre Francisco Xavier de Sousa, pai de José Marianno Xavier de Sousa e de Vicente Verdeixa Xavier de Sousa, não descobri nada de sua origem, mas pode ser descendente de um Francisco Xavier de Sousa, lá de Utinga. Por isso, acredito que Maria Rosa, esposa de João Miguel deveria ser parente de Josefa Francisca da Costa, mãe de Vicente e José Marianno. Esse Francisco Xavier de Sousa era ascendente do famoso fazendeiro Chico Sousa.

Rosa Maria faleceu e Vicente Verdeixa casou, pela terceira vez, em 1883. Já no caso de Manoel Jacintho quem faleceu foi sua esposa, e ele, então casou, em 17 de janeiro de 1869, na matriz, com Anna Maria da Conceição, filha de Miguel Francisco da Costa Machado e Anna Barbosa da Conceição, meus trisavós. Nesse caso, houve dispensa de consanguinidade e afinidade lícita. Manoel Jacintho era, portanto, parente de Anna Maria. Outro detalhe era que Anna era irmã de Francisca Rita, esposa de João Felippe da Trindade, irmão de Manoel Jacintho. Manoel Jacintho, faleceu novo, com a idade de 38 anos, em 9 de dezembro de 1871, e Dona Anna Maria, casou com Manoel Olímpio Dantas Cavalcanti, lá de Macau, filho de Manoel Dantas Cavalcante e Michaela Cândida Raposo da Câmara.

Nos registros de casamentos de Rosa e Manoel Jacintho constavam os nomes dos pais, e, por isso, foi fácil identificá-los como filhos de João Miguel e Rosa. Mas essa facilidade não ocorreu para os outros filhos do casal.

João Felippe da Trindade casou com Francisca Ritta Xavier da Costa, na matriz, em 8 de janeiro de 1851. O registro é pobre de informações, além de conter muitas abreviaturas. João Felippe morreu de mordedura de cobra, com 75 anos de idade em 15 de maio de 1895. Sua esposa, Francisca Ritta, cujos pais foram citados acima, faleceu em 24 de fevereiro de 1894. Somente descobri que João Felippe era filho de João Miguel da Trindade, por conta de uma listagem eleitoral. O tenente João Felippe foi o último intendente de Angicos do regime monárquico.

Os outros filhos do casal, João Miguel e Maria Rosa, só foi possível encontrar, após análise de muitos registros. Falaremos sobre eles em outro artigo.

Jul 27

João Felipe,

Quanto aos Engenhos, não pairam dúvidas.

1)      Cunhaú;

2)      Utinga;

 

Engenho não tem nome, mas santo da invocação. Aliás, tudo em Portugal não tem nome, mas santo da invocação seguido de um acidente geográfico. Assim, temos:

a)     Cabo de Santo Agostinho;

b)    Nossa Senhora da Conceição de Itamaracá;

c)     Nossa Senhora do Rosário da Várzea;

d)    Santo Amaro de Jaboatão;

e)     Santa Luiza de Ipojuca;

f)      Nossa Senhora das Neves da Paraíba;

g)     Santa Maria Madalena da Alagoa do Sul (atual Marechal Deodoro); e por aí vai…

 

Do mesmo modo, Engenho era um lugarejo ou fazenda, tendo um santo de invocação. Esta é a regra portuguesa para Engenho.

 

Esta nomenclatura portuguesa, foi modificada pelos holandeses. Para fins de cobrança de tributos, os holandeses fizeram listas de Engenhos. Aos santos da invocação, os holandeses inseriram também um nome de acidente geográfico específico ao Engenho. Assim, como havia vários engenhos da mesma invocação e próximos aos mesmos RIOS, adotou-se a nomenclatura de acrescentar o RIACHO onde o Engenho se situava.

 

Assim, temos, por exemplo, o Engenho Pirapama – sob a invocação da Santa Apolônia (descrição holandesa). No entanto, não era assim o tratamento dado pelos portugueses. Para os portugueses, tratava-se apenas de Engenho da invocação Santa Apolônia.

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19) ENGENHO PIRAPAMA – sob a Invocação de Santa Apolônia

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“Notas Históricas e Curiosas” – Major Salvador Coelho de Albuquerque – pág. 248 do Vo. I

Auto de Demarcação que foi feita a Felipe Cavalcante no ano de 1588

‘Ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil quinhentos e oitenta e oito anos, aos doze dias do mês de outubro do dito ano, fui, Escrivão das Datas e Demarcações desta Capitania, com João Rodrigues, dado por Demarcador, por o Demarcardor Aleixo Gonçalves estar doente, ao Engenho de Cristóvão Lins, da Invocação Santa Apolônia, que está situado na Ribeira de Arassuagipe (antigo nome do Riacho Pirapama), limites do Cabo de Santo Agostinho, Termo da Vila de Olinda, Capitania de Pernambuco, de que é Capitão e Governador o Senhor Jorge de Albuquerque Coelho, por El Rei, Nosso Senhor, e sendo no dito Engenho, por Felipe Cavalcante, morador na dita Vila, foi requerido ao dito Demarcador João Rodrigues e a mim Escrivão, demarcassemos-lhe uma légua de terra que lhe fora dada pelo Senhor Governador Duarte Coelho de Albuquerque, que está em glória, para o que mostrou uma Carta de Doação que lhe fizera o dito Senhor, que ao diante vai acostada, com a petição do Senhor Licenciado Martim Leitão, do Desembargo, há de ser do Desembargo de El Rei, Nosso Senhor, e seu Ouvidor-Geral, com alçada em todo este Estado do Brasil, que outrossim, adiante vai acostada, em que os mandasse lhe demarcássemos a dita terra, conforme a dita Carta do dito Felipe Cavalcante, e que sendo caso que lá viessem com alguns embargos, não deixassem a demarcação dita que naquela Carta se contém dar o dito Senhor Governador ao dito Felipe Cavalcante, uma légua de terra em quadro, pegado com terras de João Paes e ao longo da Ribeira de Arassuagipe (antigo nome do Riacho Pirapama), tanto de uma banda da dita Ribeira, como da outra, como mais largamente se contém na dita Carta e para cumprimento da dita Carta.

 

A invocação do Engenho diz, implicitamente, quem foi o fundador (SANTA APOLÔNIA). Veja que Cristóvão Lins era natural da POLÔNIA (parte da Alemanha), eis o motivo da invocação. Não é fácil descobrir o motivo da invocação, mas, certamente, o fundador tem uma intimamente relação com aquele Santo.

 

Voltando a questão do Engenho Utinga – sob a Invocação de Nossa Senhora do Socorro. Quando foi fundado, possivelmente, tinha esta invocação, a qual só foi possível identificar com os Livros de Igreja. A origem da nomenclatura Utinga, seguindo os critérios holandeses, deve haver algum acidente geográfico com este nome na localidade (possivelmente, trata-se de uma pequeno riacho às margens do Rio Potengi). Perceba que os holandeses afirmaram ser POTENGI, nome do acidente geográfico principal. Todavia, mais tarde, a localização específica (possivelmente RIACHO UTINGA) dará lugar a localização genérica POTENGI.

 

Ler o Processo do Padre Pedro Homem da Costa – Inquisição – Torre do Tombo!!!

 

Ferreiro Torto não me parece ser o nome antigo deste Engenho, mas, talvez, de alguma fazenda de boi fundada posteriormente na região. Este nome deve ter surgido bem depois da Guerra Holandesa, uma vez que não aparece nos Livros de Batismos!!! Qual o documento mais antigo conhecido que traz este nome Ferreiro Torto?

 

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165) ENGENHO UTINGA – sob a Invocação de Nossa Senhora do Socorro

(*) Localiza-se às margens do Rio Potengi no Rio Grande do Norte, chamado atualmente de “Utinguinha”. (livros de batismos)

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Denunciações e Confissões de Pernambuco – 1593 a 1595

Não identificado.

 

Relação de Engenhos de 1608 – Diogo de Campos Moreno

Não identificado.

 

Relatório de Servaes Carpentier - 14/01/1638:

ENGENHO POTENGI – decaído há longos anos, e diz-se que não tem terras capazes.

 

Relatório do Senhor Adriaen Van Der Dussen  - 04/04/1640:

ENGENHO POTENGI – está totalmente arruinado e abandonado.

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19/07/1692 – Sargento-Mor Antônio Gonçalves Ferreira

Fonte: Processo do Padre Pedro Homem da Costa - Inquisição

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Abçs

Fábio

Jul 26

Muitas localidades desta Capitania do Rio Grande receberam nomes que desafiam nossos historiadores quanto as sua origens.

Quando examinamos o inventário de Domingos Affonso Ferreira vemos que algumas ilhas e sítios receberam nomes de pessoas que não sabemos quem elas eram ou quem colocou tais denominações. Estão lá, Ilha de Manoel Gonçalves, Ilha do Fernando, Ilha do Balthazar, Fazenda Cacimbas do Vianna e  Diogo Lopes. Quem foram essas pessoas que deram nomes a essas localidades?

Nos livros que tratam da presença dos holandeses aqui no Brasil, muitos são os nomes e as denominações, a maioria de origem indígena, mas outros tantos surgidos dos seus donos, como Rio Jan Stau (João Lostau), Sítio de João Lostau, Caminho de Garstman e Sítio de Magalhães.

Câmara Cascudo, em Velhas Figuras, escreveu, com data de 20/01/1859, que: Rego Moleiro, historicamente, não tem este nome. Chamava-se Rodrigo Moleiro. Deve ter sido o nome do sesmeiro inicial, batizador da terra na primeira metade do século XVIII.

Mais adiante informa: mudaram-lhe a denominação há quarenta e nove anos passados. Reuniu-se a Intendência Municipal de São Gonçalo em 20 de dezembro de 1910 em sessão cerimoniosa. Era Presidente da Intendência Estevão César Teixeira de Moura, o inesquecido “Coronel Estevão Moura, de São Gonçalo”, e Intendentes Antonio Lucas de Sena, José Pereira Silva Flor, Pedro Xavier de Melo, Vicente Ferreira Fonseca e João Jorge de Sá. Deram ao povoado o predicamento de Povoação e o nome de Alberto Maranhão.

Diz ainda Cascudo que a lei não foi cumprida, pois ninguém chamava Alberto Maranhão, mas Rego Moleiro.

Alguns registros da Igreja trazem o nome de Rodrigo Moleiro, como se pode de ver do batismo seguinte: Antonia, filha natural de Florencia Maria, moradora no Rodrigo Molleiro, nasceu aos dez de novembro de mil oitocentos e dezenove, batizada pelo padre Manoel Fernandes, de licença minha, com os santos óleos a doze de dezembro do mesmo ano; foram padrinhos Miguel, cativo do tenente Alexandre Rodrigues, e Vicência Maria, ambos solteiros desta freguesia; do que fiz este assento no qual me assino. O vigário Francisco Antonio Lumachi de Mello.

No livro No rastro dos Flamengos, Olavo Medeiros escreveu, quando tratava do inquérito do assassinato de Jacob Rabbi: A casa de Muller ficava à margem direita do então riacho Guajaí (Água dos Caranguejos), entre os distritos de Igapó e Santo Antonio do Potengi. Dista cerca de 10,5km da matriz de Natal. Pelas referências holandesas, ficava a três léguas do forte Keulen, seguindo-se por via fluvial. A pé, levava-se cinco horas de caminhada do Portinho àquele forte. Continuando, escreveu Olavo, cremos que Dirck Muller fosse chamado pelos portugueses, de Rodrigo Moleiro (aliás, Muller significa Moleiro).

As notícias sobre os engenhos do Rio Grande da época dos holandeses são divergentes: uma hora se fala em Cunhaú e Ferreiro Torto, noutra em Cunháu e Utinga, e mais uma outra em Cunhaú e Potengi. Um dos primeiros massacres aqui praticado pelos holandeses foi no Engenho de Francisco Coelho, para uns o Engenho Potengi, para outros o Engenho Ferreiro Torto.

Outra confusão grande surge quando se fala em Nova Amsterdam, Natal e Cidade Nova.

Grande parte do trabalho de Olavo de Medeiros Filho foi localizar, nos mapas de hoje, aqueles sítios históricos palcos de diversos acontecimentos da nossa história. Foi um trabalho grandioso, pois Olavo esteve nos mais diversos locais, mediu, fotografou e deixou as suas hipóteses sobre cada um deles.

Sobre Cidade Nova escreveu: no Relatório do Príncipe Maurício de Nassau ao Conselho dos XIX a 14 de janeiro de 1638, dá-se conta do propósito de formar-se uma outra cidade, em substituição a Natal: “Tem somente um cidade denominada Natal, sita a légua e meia do Castelo Keulen, rio acima, a qual agora se acha mui decaída. A Câmara desta Capitania está em Potingi com licença de S. Exc, e dos Supremos Conselheiros, trabalhando por agregar aí uma população que dê começo a uma cidade; dará aí suas audiências, e para esse fim levantará uma casa pública, contribuindo os moradores cada um  conforme suas posses”

Em seguida escreve Olavo – O chamado Relatório Dussen, de 10 de dezembro de 1639, refere-se novamente ao assunto da criação de uma nova cidade: “Já teve uma cidadezinha chamada Cidade do Natal, situada a uma légua e meia do Castelo Keulen, rio acima, mas está totalmente arruinada, pelo que foi consentido aos escabinos e moradores levantar uma nova cidade em Potigi, pois é lugar fértil e melhor situado para os seus habitantes. Deverão construir de inicio um Paço da Câmara para aí terem o seu tribunal de justiça”.

Depois de outras referências, ele escreveu; a localização da Cidade Nova ou Amsterdam, apontada por Marcgrave, fica precisamente em terras hoje ocupadas pelo Colégio Agrícola de Jundiaí, a apenas 2 km de Macaíba, na direção sul.

Há no livro Sesmarias do Rio Grande do Norte, vol. 6, o registro de uma data de Sesmaria, com muitas partes ilegíveis e ementa com vários equívocos, onde se conclui que: Em 6 de Novembro de 1709, André Nogueira da Costa, capitão-mor da Capitania do Rio Grande concedeu carta de data de sesmarias a Ignácio Pereira de Albuquerque, Theodósia de Oliveira e Manoel Rodrigues. Pelo que se depreende do documento, as terras foram concedidas anteriormente a Theodosio da Rocha, sua filha Theodosia Oliveira, ao capitão João Leite Oliveira, Domingos Rodrigues Correia, Maria da Conceição e Clara da Costa.

Em uma parte desse documento está escrito: Ferreiro Torto da Cidade Nova da Capitania do Rio Grande. 1º de Novembro de 1709. Christovão Soares Reimão. Portanto, pelo documento acima o Ferreiro Torto estava encravado dentro da Cidade Nova, também conhecida por Amsterdam segundo Olavo.

Para concluir, sugiro que o Patrimônio Histórico do Estado do Rio Grande do Norte, em convênio com as nossas Universidades e outros órgãos públicos ou privados, mapeiem toda a nossa área histórica e instalem marcos nessas localidades

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